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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Bellissima - Belíssima

O cinema italiano sempre surpreendeu os amantes da sétima arte pelo seu realismo e, principalmente, pelo carisma de seus atores; que mesmo não tendo nascido em solo italiano, construiram carreiras inesquecíveis no cinema. Além disso, não se pode deixar de lado o talento dos inúmeros diretores que se destacaram pelas suas produções, muitas vezes simples, mas com resultados arrebatadores. Nomes como Michelangelo Antonioni, Roberto Benigni, Bernardo Bertolucci, Federico Fellini, Sergio Leone, Pier Paolo Pasolini, Roberto Rossellini, Ettore Scola, Vittorio De Sica, Giuseppe Tornatore, Luchino Visconti e tantos outros, deixaram suas marcas em filmes, muitas vezes desconhecidos pelo público em geral; que se tornaram verdadeiros clássicos, servindo de inspiração ao público jovem e até mesmo aos diretores mais experientes que estão sempre em busca de referências para suas produções. No post de hoje, farei uma homenagem ao renomado diretor Luchino Visconti, que "coleciona" em sua vasta filmografia, obras como Siamo donne (Nós, as Mulheres), Senso (Sedução da Carne), Rocco e i suoi fratelli (Rocco e seus Irmãos), Boccaccio '70, Il gattopardo (O Leopardo) e Belíssima.

Este último, lançado em 1951 fará parte do post de hoje. Estrelado por Anna Magnani, uma das maiores atrizes de todos os tempos (e umas das minhas preferidas), o filme gira em torno de Maddalena Cecconi (Anna Magnani) e sua filha Maria Cecconi (Tina Apicella) que está participando de um concurso. Arrastada pela mãe, que está em busca de um futuro promissor para a filha, e sonha em vê-la nas telas do cinema, a garota sofre as consequências, sem entender o que de fato está acontecendo. Visto como uma sátira às grandes produtoras cinematográficas da época, o filme conta com momentos de puro humor, mas também traz uma mensagem triste e realista das dificuldades enfrentadas pelas pessoas que decidem se arriscar na carreira artística.

Clássico indispensável, impressiona pela atuação marcante de Magnani, que até hoje é lembrada como uma das maiores atrizes de todos os tempos. O elenco ainda conta com os atores Walter Chiari interpretando Alberto Annovazzi, Gastone Renzelli, Tecla Scarano, Lola Braccini, Anton Giulio Bragaglia, Nora Ricci, Vittorina Benvenuti, Linda Sini, Teresa Battaggi, Gisella Monaldi e Amalia Pellegrini. Visualmente simples, o filme encanta pela relação entre mãe e filha, e emociona pelo desfecho inesperado. Obrigatório aos amantes da sétima arte e inesquecível aos que já assistiram.



Bastidores: Tina Apicella - A descoberta de Luchino Visconti
A história de Belíssima gira em torno de Marica Cecconi; uma garotinha simples, que se vê lançada a sorte em meio aos sonhos e devaneios da mãe, que deseja transformá-la numa atriz de cinema. Para o papel Visconti descobriu o talento da pequena Tina Apicella, que apesar da pouca idade, soube representar de forma magistral a personagem da trama. Curiosamente, apesar do sucesso alcançado pela obra de Visconti, Tina não deu sequência a carreira cinematográfica, limitando-se a trabalhos como modelo mirim por um certo período de sua vida.  

Belíssima rendeu a Anna Magnani o prêmio Nastro d'Argento (Fita de Prata) na categoria de Melhor Atriz pela Italian National Syndicate of Film Journalists.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

The African Queen - Uma Aventura na África

Em 1951, com roteiro de James Agee; o diretor John Huston reuniu os ícones Katharine Hepburn e Humphrey Bogart num dos grandes clássicos do cinema mundial The African Queen (Uma Aventura na África). Gravado em grande parte nas florestas do Congo Belga (atual República Democrática do Congo); o filme retrata as aventuras e desventuras do barqueiro canadense Charle Allnut (interpretado por Bogart). Dono de um velho barco à vapor chamado "Rainha da África", que navegava pelo Rio Congo transportando mantimentos aos povoados ribeirinhos; que de repente se vê às voltas com a missionária inglesa Rose Sayer (Katharine Hepburn) a serviço na África Oriental Alemã. Ambientado no período da Primeira Guerra Mundial, o filme mostra o personagem Charle sendo convencido pela missionária a descer as perigosas corredeiras do Rio Congo. Completamente opostos em seus gênios, Charle um homem totalmente desprovido de modos e cultura, enquanto Rose uma puritana de gosto requintado; os dois são obrigados a se adaptarem um ao outro para tornarem a viagem algo suportável.

As dificuldades impostas pela natureza selvagem do rio e da floresta, ganham proporções ainda maiores quando surge um navio alemão em seus caminhos, estratégicamente postado no Congo. Rose convence Charle de que devem encontrar uma maneira de destruí-lo. O filme tornou-se um clássico, dando à Hepburn sua 5ª indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Porém, a produção de The African Queen foi cercada de desafios e superações por parte dos atores e toda a equipe de produção. Doenças, calor perigos naturais, fizeram parte do dia-à-dia das filmagens; onde o próprio Bogart sofreu com disenteria, atrapalhando a sequência dos trabalhos. The African Queen foi um grande desafio para Hepburn e também seu primeiro filme colorido. O filme foi aclamado pela crítica e público em geral e, trazia ainda no elenco Robert Morley no papel do Reverendo Samuel Sayer (irmão de Rose). The African Queen é um filme que mistura ação, aventura e romance; ideal para todos os gostos.


Bastidores: Produção e Adaptações
Muitas mudanças ocorreram até a conclusão do filme; inicialmente os personagens principais deveriam viver juntos, como se fossem casados, e Bogart deveria utilizar um dialeto específico do Leste londrino. O relacionamento dos personagens foi alterado pois não agradava os produtores; e o roteiro reescrito devido a dificuldade de Bogart em manter o referido dialeto. Grande parte do filme foi filmado na Uganda e no Congo, algo inovador para época, e o restante foi rodado na Inglaterra e na Turquia. 

Como a maior parte das ações ocorrem dentro do barco, foi construído uma jangada e sobre ela montada uma maquete do mesmo. O filme recebeu quatro indicações para o Oscar, Melhor Ator, Melhor Atriz (Katharine Hepburn), Melhor Roteiro Adaptado (James Agee e John Huston) e Melhor Diretor (John Huston), sendo agraciado na (Categoria de Melhor Ator) Bogart. A American Film Institute (AFI) nomeou Humphrey Bogart e Katharine Hepburn como as maiores lendas do cinema americano.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Vidas Sem Rumo

Infelizmente, ao contrário das grandes potências cinematográficas, Portugal nunca obteve do público o reconhecimento merecido por suas produções, tampouco por seus diretores e atores. Desde os primórdios, quando o cinema português dependia exclusivamente de Aurélio Paz dos Reis, os filmes baseavam-se na rotina das pessoas. Fazer um resumo sobre a história e desenvolvimento do cinema português requer muita pesquisa, o que me levaria a trazer aos leitores uma longa sequência de textos. Hoje, especialmente, trarei um nome pouco conhecido mas que certamente fez grande diferença no mundo cinematográfico: Manuel Guimarães. Dono de uma vasta filmografia, foi responsável por produzir em 1956, Vidas sem Rumo, uma das obras mais peculiares do cinema português. Tendo seu estilo muitas vezes comparado ao neo-realismo italiano, Guimarães deixa claro em seus filmes uma forma única de conduzir o elenco. Numa vila onde as pessoas viviam presas em seu próprio mundo, distantes umas das outras, são surpreendidas com a chegada de uma criança misteriosa.

Preocupados com o bem estar da criança, aos poucos vão se aproximando e movendo-se em ações em prol da mesma. Em consequência dessa agitação traz a tona emoções até então guardadas em segredo, como por exemplo o tímido Pardal (Eugénio Salvador), que se expressava apenas através de sua pequena gaita, e um dia resolve declarar seu amor à Gaivota (Milú), a garota cuja a vida se resumia a esperar pelo marinheiro que lhe roubara o coração. O cínico Meia Lua (Artur Semedo) que mantinha um romance escondido com a bela Marlene (Madalena Sotto) dançarina do bar, e repudiava o amor da desesperada Ana (Maria Albergaria).

Em torno da história, o narrador/personagem (Jacinto Ramos) conduz o espectador num misto de realidade e fantasia. Vidas Sem Rumo consumiu todo capital de Manuel Guimarães, e despontava como a grande obra do cinema português da época, porém vítima das atrocidades da censura salazarista, que destruiu permanentemente boa parte das filmagens a obra por pouco deixou de existir. Apesar da história contar que ele utilizou todos os seus recursos financeiros na produção de Vidas Sem Rumo, o filme não apresenta grandes cenários ou recursos cinematográficos porém a história em si revela a genialidade boicotada deste grande produtor e diretor português.


Bastidores: Manuel Guimarães - Um gênio contra a ditadura
Em 19 de Agosto de 1915, nascia em Valmaior/Portugal, Manuel Fernandes Pinheiro Guimarães; que mais tarde viria a se tornar simplesmente o produtor e diretor Manuel Guimarães, um dos grandes nomes do cinema português.Após concluir o Curso Geral dos Liceus, passou a estudar pintura em 1931, na Escola de Belas Artes do Porto. Iniciou, então, a carreira artisitca como ilustrador, caricaturista e decorador teatral, sendo responsável pela criação dos cartazes para os filmes de cinema. Esta aproximação despertou seu interesse pela arte cinematográfica e passou a trabalhar como assistente de produção em 1936. A convivência com nomes expressivos como Manoel de Oliveira, António Lopes Ribeiro,entre outros; foi o suporte para que realizasse em 1949 o curta-metragem  O Desterrado; documentário sobre a vida e obra de Soares dos Reis, pelo qual ganhou o Prêmio Paz dos Reis.

Porém, somente dois anos mais tarde, em 1951, realizou seu primeiro longa-metragem, Saltimbancos,um filme que tinha como tema central o dia- à-dia de um pequeno circo ambulante, baseado na obra literária do escritor Leão Penedo. No ano seguinte começou a despontar seu estilo neo-realista com o filme Nazaré, refilmagem do clássico de 1929; no qual abordava a vida dos pescadores da cidade título desta feita. como uma crítica social. No entanto o filme não caiu nas graças da censura do regime Salazar que via nas produções cinematográficas; um perigo maior do que as obras literárias e seus conteúdos "subversivos", e lhe impôs vários cortes antes da exibição nas telas de cinema.

(Foto: Dórdio Guimarães) Indiferente ás pressões, em 1956 produziu Vidas Sem Rumo, que trazia argumentos de sua própria autoria, porém a obra foi destroçada pela censura e o filme perdeu quase todo seu significado. Essa opressão levou Manuel Guimarães`a produzir filmes com caráter comercial. Em parceria com o produtor António da Cunha Telles, produziu os filmes O Crime da Aldeia Velha (1964) e O trigo e o Joio (1965); o primeiro uma adaptação da peça de Bernardo Santareno e o segundo da obra de Fernando Namora. Porém o publico em geral já estava voltado para outras temáticas de entretenimento,e com a pouca aceitação de seus novos trabalhos, Guimarães retomou a produção de documentários com temas artísticos. À partir dai, sua vida sofreu altos e baixos, chegando a retomar sua carreira de grafismo trabalhando para ilustrações de jornais locais. A Revolução dos Cravos (golpe militar ocorrido no dia 25 de Abril de 1974) trouxe novas perspectivas para Guimarães retomar seu estilo neo-realista sem correr o risco de ser perseguido pela censura, e com isso deu inicio, do mesmo ano, à  produção do filme Cântico Final, adaptação da obra homônima de Vergílio Ferreira. Entretanto, com a saúde debilitada, Guimarães não conseguiu concluir as filmagens, falecendo em 29 de Janeiro de 1975 na cidade de Lisboa, aos 59 anos de idade. Seu filho Dórdio Guimarães assumiu a responsabilidade de concluir as gravações e o filme foi lançado um ano após a morte do pai, em 1976, com os créditos de direção atribuídos a Manuel Guimarães. A critica especializada considera que Manuel Guimarães foi muito injustiçado não somente pela ditadura Salazar, como também pela própria critica e público da época.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Things to Come - Daqui a Cem Anos

Ao longo da semana que se passou, estive envolta em outras atividades que tomaram grande parte do meu tempo disponível, impossibilitando-me de redigir um texto nos padrões que venho mantendo até então; por isso optei por não editar nenhum trabalho neste período.
O gênero ficção científica já fazia sucesso muito antes de Méliès reproduzir nas telas uma adaptação da obra de Julio Verne; no entanto, o clássico Viagem à Lua abriu as portas para que outros diretores produzissem obras fantásticas e cheias de efeitos visuais. Alguns filmes são citados até hoje como verdadeiros ícones do gênero, tais como Metropolis, Blade Runner, a quadrilogia Alien e 2001- Uma Odisséia no Espaço. Hoje, no entanto, abordarei uma obra pouco conhecida, mas que traz no seu enredo algo que nos faz pensar nas alternativas de um mundo pós guerra.

Em 1936, o produtor Alexander Korda sob a direção de William Cameron Menzies trouxe as telas o filme Things to Come (Daqui a Cem Anos). A história começa na cidade de Everytown na véspera de natal do ano de 1940, quando John Cabal (Raymond Massey) conversa com o Dr. Harding (Maurice Braddell) e Pippa Passworthy (Edward Chapman) sobre uma possível guerra assolar o país. Mesmo com o otimismo dos amigos e parentes e a descrença da população, a Segunda Guerra Mundial estoura e dura mais de 20 anos, deixando a terra num estado desolador. Em meados da década de 60, a nova geração se vê obrigada a recomeçar do zero, sem qualquer tipo de tecnologia; contando apenas com Rudolf,o chefe (Ralph Richardson).

Em meio aos destroços e às ordens do novo líder, a população é surpreendida com a presença do, agora aviador, John Cabal. A partir daí, um novo grupo, com novos príncipios se forma. Indo de 1940 a 2036, o filme aborda de forma inteligente e imaginativa os temores e as expectativas de uma nação em busca de paz e harmonia.


Bastidores: Produção e curiosidades - Um filme premonitório
Para o personagem Theotocopulos, inicialmente foi selecionado o ator Ernest Thesiger, porém, insatisfeito com seu desempenho, o roteirista H.G. Wells optou por substituí-lo por Cedric Hardwicke; sendo necessário refazer todas as cenas já gravadas. Presume-se que Wells tenha tido controle total sobre a produção de Things to Come, porém sua influência não foi tão significativa, tanto que a versão original continha 130 minutos e após várias modificações e cortes, foi lançado com 108 minutos.

Outra questão que evidencia esse fato, ficou por conta da ideia original de Wells de constituir o filme à partir de uma trilha sonora pré-estabelecida; o que acabou não acontecendo. A cidade de Everytown foi baseada em Londres, inclusive, em determinada cena pode-se visualizar a St Paul's Cathedral (Catedral de São Paulo). O filme escrito em 1934 era uma previsão trágica para a Segunda Guerra Mundial, e as cenas onde se usava bombas de gás trouxe muito temor com a possibilidade dos alemães adotarem a mesma tática durante a guerra. O escritor e estudioso britânico Sir Christopher Frayling chama Things to Come "um marco no projeto cinematográfico", sendo considerado pela crítica como a primeira superprodução no gênero ficção científica do cinema mundial. Things to Come foi classificado como um dos melhores filmes britânicos de 1936.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Civilization (1916)

Em 1916, a parceria entre os diretores Reginald Barker, Thomas H. Ince e Raymond B. Oeste deu origem ao filme Civilization. A produção, que foi comparada ao clássico The Birth of a Nation (O Nascimento de uma Nação), foi a primeira a mostrar Jesus Cristo e consequentemente, a levantar opiniões diversas. Começando com um prólogo realista sobre os soldados e a triteza das milhares de mães que tem seus filhos arrancados abruptamente de seus colos, as primeiras palavras deixam claro que que numa guerra não existe o certo e o errado, mas simplesmente os que pagam por ela. A história começa com o Conde Ferdinand (Howard C. Hickman), construtor de um moderno submarino, sendo designado pelo Rei de Wredpryd (Herschel Mayall) a comandar e conduzir a batalha com o objetivo de destruir um navio carregado de munições e civis. Entretanto, ao avistarem o referido navio, Conde Ferdinand resolve contrariar as ordens recebidas ao constatar que o navio conduzia mulheres e crianças. Esta atitude causa revolta junto à tripulação levando-o a um enfrentamento armado com a mesma, e após dominar a situação provoca o afundamento do submarino.

Como resultado de toda violência gerada no conflito e a morte de toda a tripulação, o Conde Ferdinand teve sua alma lançada no purgatório; porém dada a nobreza de seu ato para salvar mulheres e crianças, Jesus (George Fisher) o salva do purgatório. Entretanto, anuncia ao Conde que utilizará seu corpo terreno para voltar ao mundo dos vivos e através dele, pregar novamente a paz entre os povos. À partir daí, os valores humanos são colocados à prova.

 


Bastidores: O sucesso e as críticas - A declaração de Yazujiro Ozu
O filme que demorou 1 ano para ser lançado, teve um orçamento em torno de um milhão de dólares para ser produzido conforme às exigências dos três diretores envolvidos. O roteirista C. Gardner Sullivan, disse em entrevista que teve inspiração pra escrever na manhã do domingo de Páscoa de 1915, e rapidamente passou para o papel a ideia principal, intitulando-a The Mothers of Men. O tempo de gravação reuniu centenas de pessoas e garantiu a obra uma das mais belas fotografias da época.

Composto por cenas grandiosas que vão desde batalhas campais, navais e aéreas; a produção contou com o apoio da Marinha dos EUA que lhes emprestou navios para as filmagens. Ao longo da propaganda do filme, a imprensa divulgou os gastos exacerbados causados pelo naufrágio de um transatlântico, os gastos com munições, elenco (cerca de 40 mil pessoas), dez mil cavalos, 40 aviões e cidades inteiras que foram construídas, apenas para serem destruídas. Civilization trouxe pela primeira vez às telas de cinema um ator interpretando Jesus Cristo, cabendo a George Fisher esta difícil tarefa. O filme foi um sucesso popular quando de seu lançamento em 1916, sendo inclusive considerado a última grande conquista dos Estúdios Ince, porém causou várias divergências entre a crítica especializada. O cineasta Yasujiro Ozu, diretor do clássico Era Uma Vez em Tóquio (1953), declarou que decidiu tomar a profissão de diretor de cinema após assistir Civilization. A obra em questão, que foi considerada uma resposta ao polêmico "The Birth of a Nation" (1915) de D.W. Griffith, recebeu da Library of Congress indicação para preservação pela National Film Registry devido a seu inestimável valor histórico.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Snezhnaya Koroleva (1957) - A Rainha da Neve

Em 1845, o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen que já era conhecido pelas obras: A Pequena Sereia, Os Sapatinhos Vermelhos e mais tarde viria a publicar O Patinho Feio, escreveu o livro The Snow Queen (A Rainha da Neve ou Reino Gelado, conforme algumas traduções), uma obra de magia e encantamento que venho lhes trazer neste post. Em 1957, o diretor russo Lev Atamanov produziu, numa parceria com o Soyuzmultfilm de Moscou, a primeira versão cinematográfica de Snezhnaya koroleva (A Rainha da Neve). O filme começa com o personagem Ole Lukoje narrando as aventuras da pequena Gerda. Tudo começa numa noite de inverno quando ela e Kay reunem-se ao lado da avó que lhes conta a lenda da Rainha da Neve. Impetuoso, após a narrativa, Kay lança um desafio, ameaçando destruir a Rainha caso ela aparecesse. Como a história era mais que uma simples lenda, a Rainha da Neve que tudo via e ouvia, aceita o desafio e transforma Kay numa figura maléfica. Para salvá-lo, Gerda inicia uma fantástica jornada para o derradeiro confronto com a Rainha. Ao longo desta jornada Gerda envolve-se em várias aventuras com diferentes personagens, e cada um, à sua maneira, contribuem para que ela alcance seu objetivo. Apesar das diferentes versões, onde as características de alguns personagens sofrem alterações, a essência do filme é a narrativa da luta do bem contra o mal.


Bastidores: Prêmios e adaptações.
Após o lançamento da primeira versão do clássico, a Universal Pictures fez sua própria adaptação da obra contando com Sandra Dee e Tommy Kirk como dubladores na versão norte-americana. Lançado em 1959, o filme contava com um prólogo sobre o Natal de cerca de seis minutos com o ator Art Linkletter e também uma nova trilha sonora. Em 1990, uma nova adaptação foi feita, dessa vez pela Films By Jove; a trilha sonora foi modificada e contou com a participação de Kathleen Turner, Mickey Rooney, Kirsten Dunst e Laura San Giacomo. O longa metragem foi ao ar no programa Stories from My Childhood de Mikhail Baryshnikov.

Após 9 anos, a animação foi lançada em DVD e ganhou nova trilha sonora em dois idiomas diferentes, espanhol com Beatriz Aguirre e francês com Catherine Deneuve. Em setembro de 2007, o cineasta japonês Hayao Miyazaki disse em entrevista que graças ao filme de animação russo, teve inspiração pra dar continuidade em seu trabalho. Isso contribuiu para uma nova adaptação da obra lançada pelo Studio Ghibli, legendada em japonês e com áudio original. A produção de Lev Atamanov recebeu diversos prêmios: Leão de Ouro no Festival de Veneza, o primeiro prêmio na categoria de filme de animação no Festival de Cannes, Prêmio Especial no Festival de Moscou e duas premiações em Roma e Londres.

A obra de Hans Christian  ainda recebeu outras versões nos seguintes anos: 1966, 1980 (novela de ficção científica de Joan D. Vinge), 1995 (produção Britânica), 2002 (estrelado por Bridget Fonda), 2005 (Filme para TV transmitido pela BBC), 2005 (série japonesa), 2006 (produção Coreana para TV transmitido pela KBS), 2008 (novela de Mercedes Lackey), 2012 (animação russa), um episódio especial no programa Faerie Tale Theatre, e Frozen (Disney), a mais nova adaptação que chegará ao Brasil em novembro de 2013.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

The Blue Bird (1918) - O Pássaro Azul

Muitas obras literárias ganharam adaptações cinematográficas anos após suas publicações. Grande parte dessas produções alcançaram níveis surpeendentes de qualidade e bilheterias; algumas delas ainda são refeitas nos dias atuais, contando com efeitos tecnológicos mais avançados e adaptações que fogem ao roteiro original. Entre obras que contaram com várias versões, destacam-se Alice in Wonderland (Alice no País das Maravilhas) de LewiS Carrol, Snow White and the Seven Dwarfs (Branca de Neve e os Sete Anões) dos Irmãos Grimm, The Wizard of Oz (O Mágico de Oz) de L.Frank Baum, The Blue Bird (O Pássaro Azul) do escritor belga Maurice Maeterlinck, e tantos outros. O post de hoje trará uma das versões deste último conto. Em 1910, sob a direção do próprio escritor, The Blue Bird recebeu sua primeira versão para as telas do cinema com os atores Pauline Gilmer e Olive Walter, nos papeis de Mytyl e Tytyl, respectivamente. Em 1918 o diretor Maurice Tourneur, após muito estudo e preparação, dirigiu a segunda versão trazendo no elenco os atores mirins Tula Belle (Mytyl) e Robin Macdougall (Tyltyl) como protagonistas.

A história começa com Berlingot (Edward Elkas) indo à casa dos pais de Tyltyl e Mytyl (interpretados por Edwin E. Reed e Emma Lowry), para pedir emprestado o pássaro da família, pois isso alegraria sua filha doente (Katherine Bianchi). Mytyl no entanto, se recusa a dar o pássaro, e naquela mesma noite ao dormir é surpreendida pela fada Bérylune (Lillian Cook) que entrega um chapéu mágico a Tyltyl, e ordena que ambos procurem o pássaro azul (pássaro da felicidade). À partir daí, a  história traz vários personagens a trama. Apesar de seu ano de produção, quando a indústria cinematográfica ainda não contava com grandes recursos técnicos, o filme apresenta boa qualidade nos efeitos especiais. The Blue Bird é uma obra cheia de magia que traz uma preciosa lição de vida.




Bastidores: A obra e o filme
Filmado em Nova Jersey, The Blue Bird do diretor Maurice Torneur, recebeu vários elogios do New York Times, que o classificou como sendo a mais perfeita adaptação de uma obra literária para as telas do cinema. E ainda apontou os atores mirins tão angelicais, tanto na personificação dos personagens quanto na vida real. Sob os cuidados do produtor, responsável pela criação da Paramount Pictures, Adolph Zukor, o filme foi considerado cultura, histórica e esteticamente significativo pela Library of Congress dos EUA e selecionado para preservação no National Film Registry.

Além das versões de 1910 e 1918, a obra de Maurice Maeterlinck recebeu várias outras versões ao longo dos anos como em 1940 com Shirley Temple e Johnny Russell, a animação soviética de 1970, em 1976 com Patsy Kensit e Todd Lookinland (e as participações de Elizabeth Taylor, Jane Fonda e Ava Gardner), outra animação japonesa em 1980 e a versão belga de 2011 do diretor Gust Van Den Berghe, estrelado por Bafiokadie Potey e Tene Potey.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Grandma's Boy (1922)

O cinema mudo foi responsável por imortalizar grandes atores, atrizes, diretores e gêneros, um deles a slapstick (comédia pastelão). Este último, infelizmente, foi deixado para trás com a chegada do cinema falado, o gênero slapstick, já não atendia mais as necessidades cinematográficas da nova geração. Nomes como Mack Sennett, Max Linder e Hal Roach, que foram os pioneiros nesse gênero, influenciaram grandes atores, como Buster Keaton, Charles Chaplin, Fatty Arbuckle, Harry Langdon e Harold Lloyd. Lloyd que fez sua contribuição ao cinema mudo e falado ao atuar em mais de 200 filmes, muitos considerados verdadeiros clássicos: Safety Last (O Homem Mosca), Speedy, The Kid Brother (O Caçula), The Freshman (O Calouro) e Grandma's Boy, o qual fará parte do post de hoje. Lançado em 1922, Grandma's Boy foi produzido e escrito por Hal Roach e dirigido por Fred C. Newmeyer; contando com um enredo bastante simples, porém divertido. A história gira em torno de Lloyd (ou o queridinho da vovó, como ele é chamado no filme), um garoto tímido que enfrenta inúmeras dificuldades devido a sua falta de coragem para conquistar a garota (Mildred Davis) que tanto ama.

Por outro lado, vê-se obrigado a disputar o amor da jovem com seu rival (Charles Stevenson), o que torna as coisas ainda mais difíceis. Sua avó (Anna Townsend) percebendo as dificuldades do neto, resolve lhe entregar um amuleto da sorte, que segundo ela, foi utilizado pelo seu avô durante a Guerra Civil. À partir daí, a vida do tímido Lloyd transforma-se radicalmente e o filme ganha uma velocidade impressionante de sequência de fatos, e durante os seus 60 minutos de duração, encanta pela simplicidade e consegue retratar de forma peculiar a Guerra Civil, em alguns poucos minutos. Produzido por um dos maiores nomes do cinema de comédia, e com elenco bem selecionado, Grandma's Boy é um clássico indispensável.


Bastidores: Hal Roach e Harold Lloyd
A parceria entre Harold Lloyd e Hal Roach durou cerca de cinco anos entre 1919 e 1923; neste período Lloyd protagonizou seus melhores filmes e o produtor, roteirista e diretor Roach teve em suas mãos a principal jóia da Hal Roach Studios, aquele que sem dúvida foi o ator que mais lucro trouxe a sua companhia cinematográfica. Com a saída de Lloyd em 1923, somente à partir dos anos 30 Hal Roach encontrou artistas de tão alto nível, tais como: Thelma Todd, Patsy Kelly, Zasu Pitts Will Rogers, Max Davidson, Charley Chase, Harry Langdon e Stan Laurel e Oliver Hardy (O Gordo e o Magro). Durante os anos 20 Roach teve como grande rival o também produtor Mack Sennet, e até os dias atuais, são considerados os maiores responsáveis pela longevidade da comédia pastelão.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

The Wind (1928) - Vento e Areia

O cinema mudo foi responsável por consagrar inúmeros artistas. Em todos os recantos do mundo, tinha-se como referências atores, atrizes e diretores, que até a chegada do cinema falado no final da década de 20, eram considerados verdadeiros mitos. A chegada da nova tecnologia trazida pelo cinema falado conduziu muitos destes atores ao profundo esquecimento dos fãs; no entanto Lillian Gish foi uma das raras exceções. É evidente que as produções envolvendo seu nome diminuiram no decorrer dos anos, se comparado com sua vasta filmografia entre 1912 e 1930. Victor Sjöström foi outro nome que deixou marcado sua passagem pelo cinema mudo; diretor sueco que também produziu filmes norte-americanos que até os dias de hoje é lembrado como um dos grandes nomes do cinema mundial. O post de hoje traz um marco do cinema mudo produzido em 1928 que reuniu essas duas personalidades, The Wind (Vento e Areia). Baseado na novela de Frances Marion e Dorothy Scarborough, a história gira em torno de Letty Mason (Lillian Gish) que parte em direção a casa de seu primo Beverly (Edward Earle).

Durante o caminho, Letty sente-se incomodada com o constante vento que abrange o local, e conhece Wirt Roddy (Montagu Love), que estava incubido de conduzi-la até seu destino e aos poucos começa a demonstrar interesse pela jovem. Ao chegar num determinado ponto da viagem, Letty passa a ser guiada por Lige Hightower (Lars Hanson) e Sourdough (William Orlamond), vizinhos de seu primo. Após a longa viagem cercada por muito vento e areia, Letty finalmente chega ao seu destino. A partir daí, ela se vê obrigada a lidar com o ciúme doentio de Cora (Dorothy Cumming) esposa de Beverly, e a difícil tarefa de decidir entre três determinados pretendentes. O filme narra o conflito de emoções entre os personagens num cenário desértico e assombrado por um vento sem fim.

 

Bastidores: Uma das obras mais importantantes de Sjöström, segundo o jornal Britânico The Guardian.
Uma das últimas produções da era muda lançada pela MGM; a ideia de fazer uma adaptação cinematográfica da obra de Frances e Dorothy partiu de Lillian Gish. A parceria com Irving Thalberg tornou possível a realização do projeto e Gish escolheu o ator Lars Hanson para o papel de Lige Hightower ao observar sua interpretação ao lado de Greta Garbo. Após selecionar o elenco, curiosamente, também coube a Gish escolher o diretor Sjöström, com o qual já havia trabalhado em 1926 no filme The Sclaret Letter. Para melhor ambientação, parte das cenas foram filmadas próximo ao deserto de Mojave na Califórnia.

E por conta de uma exigência da MGM, o final do filme foge totalmente ao romance do qual teve origem. Recentemente, o jornal britânico The Guardian fez uma matéria enaltecendo as produções de Sjöström He Who Gets Slapped (1924), The Scarlet Letter (1926) e The Wind (1928), classificando este último como sua melhor produção na América; apesar da crítica da época não ter sido tão favorável. Em 1993, o filme foi indicado para a preservação no National Film Registry (EUA) pela Library of Congress tamanha a sua importância para a cultura e história. Curiosodade à parte, há uma cena da obra de Sjöström que às vezes me faz pensar se James Cameron teria assistido The Wind antes de produzir Titanic...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Obchod na Korze - A Pequena Loja da Rua Principal

A Tchecoslováquia (atualmente dividida em República Tcheca e Eslováquia), existiu entre 1918 e 1992, e durante este período nos presenteou com grandes cineastas e produções, muitas vezes desconhecidos ou esquecidos pelo público. Nomes como Karel Zeman, com seu grandioso filme Vynález zkázy (The Fabulous World of Jules Verne), baseado na obra de Julio Verne, Jirí Trnka visto como um dos maiores ilustradores e geralmente lembrado por suas obras em "motion picture", e tantos outros que fizeram história no mundo cinematográfico e merecem ser reconhecidos. Dedicarei o post de hoje aos dois diretores Ján Kadár e Elmar Klos, que em parceria, realizaram um dos filmes mais importantes do cinema tchecoslovaco. Premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e inserido no Festival de Cannes de 1965, Obchod na Korze (A Pequena Loja da Rua Principal) conta com a participação de Jozef Kroner como o carpinteiro Brtko e a simpática Ida Kaminska que recebeu uma nomeação ao Oscar na categoria de Melhor Atriz, interpretando Rozália a proprietária da loja de botões.

O filme conta a dramática história de Brtko durante a Segunda Guerra Mundial, num período onde todo comerciante judeu, para sobreviver, tinha que ter como um co-proprietário um ariano legítimo. Desta forma, após ser indicado para assumir o comando de uma pequena loja de botões que pertencia a Rozália (uma mulher judia e idosa com sérios problemas auditivos), encontra inúmeras dificuldades para faze-la compreender que sua própria sobrevivência dependia do fato de aceita-lo como novo dono da loja. Ao longo do filme é narrado todo o envolvimento dos dois personagens, das dificuldades de relacionamento e entendimento em meio a pressão das forças nazistas. Obchod na Korze surpreende pelo enredo forte, uma história cheia de conflitos, temores e resignação; mostrando um cenário desconhecido dentro dos horrores que foi a Segunda Guerra Mundial.


Bastidores: Ladislav Grosman
Nascido em 1921, Ladislav Grosman trabalhou como correspondente e editor para o jornal Pravda em Praga onde começou a delinear sua carreira como escritor e roteirista para o cinema local. Em 1964 publicou a novela Obchod na Korze que no ano seguinte despertou o interesse do governo Tchecoslovaco para a produção de um longa metragem. Coube ao próprio Ladislav produzir o roteiro do filme Obchod na Korze; após adaptar o formato inicial para o estilo de filmagem eslovaco. Intensificando os diálogos numa linguagem única e atribuindo a direção da obra aos diretores Ján Kadar e Elmar Klos, com patrocínio e supervisão do Partido Comunista local. O filme foi produzido nos Estúdios Barrandov, Praga e filmado no Estado de Sabinov, localizado no nordeste da Eslováquia.
 
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