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sexta-feira, 16 de março de 2012

How to Marry a Millionaire - Como Agarrar um Milionário

Em 1953, uma nova tecnologia chegava as telas do cinema, o processo wide-screen intitulado CinemaScope; após o lançamento da primeira obra nesta tecnologia (The Robe- O Manto Sagrado), o diretor Jean Negulesco brindou o público com a comédia romântica How to Marry a Millionaire (Como Agarrar um Milionário) trazendo no elenco as divas: Marilyn Monroe, Betty Grable e Lauren Bacall. Baseado nas peças gregas "The Greeks Had a Word" e "Loco" com a excelente trilha sonora de Alfred Newman; o filme traz a história de Schatze Page (Lauren Bacall) que após um fracassado divórcio vê-se obrigada a dividir o apartamento com as amigas Loco Dempsey (Betty Grable) e Pola Debevoise (Marilyn Monroe).

Empenhadas em conquistar um novo padrão de vida, as três amigas traçam planos mirabolantes para encontrarem partidos milionários. A partir daí, passam pelas mais divertidas situações para conseguirem seus objetivos; Page com sua personalidade forte e determinada; Pola com sua severa miopia e relutância em usar óculos; e Loco, que fazendo juz ao nome, com suas inusitadas fantasias. A medida em que a história se desenvolve, envolvem-se com os mais diferentes tipos de personagens, vividos por David Wayne (como Freddie Denmark), Rory Calhoun (como Eben), Cameron Mitchell (como Tom Brookman), Alex D'Arcy (como J. Stewart Merrill), Fred Clark (como Waldo Brewster) e William Powell (como J.D. Hanley).

Não faltam ao filme cenas de arrancar gargalhadas, principalmente envolvendo Marilyn Monroe; e outras repletas de romantismo. Coube ao diretor Jean Negulesco o privilégio de reunir numa única obra um trio de atrizes cercadas de tamanha beleza e talento. Curiosamente, apesar do status de atriz principal ser destinado a Lauren Bacall, a crítica aponta como sendo um dos melhores trabalhos de Marilyn Monroe.


Bastidores: O trabalho de Alfred Newman e Cyril J. Mockridge - Os direitos de Nicole Kidman.
Alfred Newman e Cyril J. Mockridge foram os responsáveis pela encantadora e inesquecível trilha sonora de How to Marry a Millionaire. A cena de abertura que tem cerca de 6 minutos de duração, com a música Street Scene, é um espetáculo à parte. A mesma música foi utilizada em outras produções, tais como: The Dark Corner, Kiss of Death, Cry of the City e I Wake Up Screaming. No entanto, foi em 1931 na produção de Elmer Rice, que a canção foi interpretada pela primeira vez. Em 2004 a trilha sonora de How to Marry a Millionaire, foi lançada em CD graças a Membran Internacional e ao brilhante trabalho da National Philharmonic Orchestra.

O trabalho do diretor Jean Negulesco recebeu três indicações importantes: o Oscar de melhor figurino, Writers Guild of America de melhor comédia e o BAFTA de melhor filme. Quatro anos após o sucesso do filme, em parceria com a National Telefilm Associates, a 20th Century-Fox Television trouxe as telas da televisão o seriado How to Marry a Millionaire que permaneceu no ar até 1959 reunindo no elenco estrelas como Barbara Eden, Merry Anders, Lori Nelson e Lisa Gaye. Segundo informações, a atriz Nicole Kidman comprou os direitos autorais do filme para a produção de uma nova versão, a princípio, com um novo roteiro. Para os fãs do gênero, a obra de 1953 está disponível em DVD.

terça-feira, 13 de março de 2012

The Misfits - Os Desajustados

Baseado no roteiro de Arthur Miller, o diretor John Huston levou as telas de cinema em 1961 o filme The Misfits (Os Desajustados) estrelado por Clark Gable, Marilyn Monroe e Montgomery Clift. A produção não teve o retorno financeiro tão almejado porém rendeu boas críticas ao roteiro e as excelentes atuações de seu elenco principal. A história do filme gira em torno da jovem divorciada Roslyn (Marilyn Monroe) e do cowboy Gay Langland (Clark Gable). Após o encontro casual entre as amigas Roslyn e Isabelle Steers (Thelma Ritter) com o ex-piloto de guerra, Guido (Eli Wallach); que lhes apresenta o irreverente Gay Langland, pelo qual Roslyn se apaixona. Durante o relacionamento, Roslyn conhece Perce Howland (Montgomery Clift) amigo de Gay Langland, que tenta arranjar dinheiro para participar de um rodeio. A partir daí, torna-se evidente para Roslyn a real atividade de seu amado. Conflitos ideológicos se contrapõem em seu relacionamento, conduzindo Gay Langland a tomar uma importante decisão em sua vida.

O filme traz algumas cenas de extrema habilidade do diretor tais como: a sequência com o avião de Guido, o rodeio, a perseguição aos cavalos e a clássica cena da embriaguez dos personagens de Gable, Clift e Wallach. Curiosidade a parte, alguns críticos encontravam semelhanças entre a personagem Roslyn e a própria Marilyn Monroe, dado a circunstâncias emotivas pelas quais passava a atriz em sua vida pessoal.


Bastidores: Uma produção grandiosa e conturbada - A despedida de Marilyn Monroe e Clark Gable.
Considerado um dos filmes mais caros em preto e branco da história do cinema, a produção do filme The Misfits (Os Desajustados) escrita por Arthur Miller e dirigida por John Huston, além de não ter sido bem recebida pelo público na época, fez com que os atores e produtores enfrentassem diversos problemas durante as filmagens. O calor insuportável no deserto; a briga entre Arthur e Marilyn que já estavam casados desde 1958 e, principalmente, o consumo excessivo de medicamentos e bebidas que impediu Marilyn de decorar o texto e consequentemente, atrasou as gravações, já que segundo o próprio diretor, ela ficou cerca de duas semanas afastada em tratamento. Apesar das dificuldades, o filme foi lançado em 1º de fevereiro de 1961 e consagrou Clark Gable que, para alguns críticos, fez um de seus melhores personagens.

Curiosidade a parte, Gable recusou a utilização de um dublê para as cenas com os cavalos, inclusive aquela onde ele é arrastado. Para desespero dos fãs, infelizmente, dois dias após a conclusão das filmagens de The Misfits, Clark Gable, que também era o grande ídolo de Monroe, sofreu uma parada cardíaca e não resistiu, vindo a falecer dez dias depois. Marilyn que o tinha como um pai, ficou extremamente abalada, o que provocou sua internação num hospital psiquiátrico. De acordo com alguns relatos, ela se mostrava insatisfeita com sua atuação e dizia detestar o filme.

No dia 5 de agosto de 1962, Marilyn foi encontrada morta em seu apartamento. O companheiro de filmagens de Marilyn e Gable, Montgomery Clift, faleceu seis anos depois vítima de um ataque cardíaco. Filmes e documentários como The Legend of Marilyn Monroe (1966), Making The Misfits(2001), Finishing the Picture (2004) e a autobiografia Timebends (1987) imortalizaram a produção de 1961. Considerada uma verdadeira relíquia, o filme The Misfits teve a honra de reunir dois monstros sagrados do cinema naquela que seria a última atuação de suas vidas: Marilyn Monroe e Clark Gable. Mas como diria Gay Langland numa cena eternizada pela dupla: "Morrer é tão natural como viver."

sexta-feira, 9 de março de 2012

Gentlemen Prefer Blondes - Os Homens Preferem as Loiras

Em 1953, o diretor Howard Hawks baseou-se na obra de Anita Loos para colocar em cena as atrizes e Marilyn Monroe e Jane Russell numa deliciosa comédia romântica musical: Gentlemen Prefer Blondes (Os Homens Preferem as Loiras). Curiosamente, a princípio a atriz pretendida pela produtora Fox era Betty Grable, porém devido a sua brilhante interpretação no filme Niagara, optaram por convidar a jovem Marilyn para o papel de Lorelei. A parceria com a já consagrada Jane Russell provou que a escolha foi mais do que acertada, a química entre as duas mostrou-se presente desde as primeiras tomadas. O filme retrata as aventuras e desventuras das dançarinas Lorelei Lee (Marilyn Monroe) e Dorothy Shaw (Jane Russell) numa história onde o amor é submetido a provas colocando-as nas mais complicadas e divertidas situações. A confusão começa quando, a pedido de Gus Esmond (Tommy Noonan) noivo de Lorelei, as duas embarcam num cruzeiro para Paris.

Por um lado, Lorelei tenta encontrar o par ideal para a amiga, enquanto o detetive Ernie Malone (Elliott Reid) contratado por Sr. Esmond (Taylor Holmes), pai de Gus Esmond , tenta de todas as formas encontrar evidências que comprovem a infidelidade e interesses da futura noiva de seu filho. Para complicar a situação de Lorelei, eis que surge o casal Sir Francis "Piggy" Beekman e Lady Beekman (Charles Coburn e Norma Varden, respectivamente) que a colocará na mais desolada situação frente ao noivo. A medida em que a história se desenvolve, é fácil constatar a diferença de personalidade entre as duas amigas, enquanto Dorothy se mostra mais astuta e despojada, Lorelei é mais distraída e ambiciosa.

Regado com muitas cenas cômicas, a obra ainda traz a excelente triha sonora com canções marcantes nas vozes de Marilyn Monroe e Jane Russell, tais como: Diamonds Are a Girl's Best Friend, A Little Girl from Little Rock, Bye Bye Baby, entre outras; sendo que a cena da primeira canção, posteriormente, seria utilizada em videoclipes produzidos pelas cantoras e atrizes: Madonna, Geri Halliwell, Kylie Minogue, Nicole Kidman, Anna Nicole Smith, Christina Aguilera, e também pelo ator James Franco.


Bastidores: O romance que virou musical - O desabafo de uma estrela.
Quando a escritora Anita Loos escreveu seu romance em 1925 intitulado Gentlemen Prefer Blondes, ela não imaginava que sua obra seria imortalizada nas grandes produções cinematográficas. Em 1928, após fazer uma parceria com o diretor Malcolm St. Clair, a primeira versão de Gentleman Prefer Blondes foi as telas na mesma época. No entanto, atualmente, é considerada uma obra perdida, pois não foi encontrado nenhuma cópia dessa versão. Em 1949, foi a vez de John C. Wilson transformá-la num musical e leva-la aos palcos da Broadway. Porém a versão que, de certa forma, imortalizou o romance de Anita Loos foi produzida por Howard Hawks em 1953 com Jane Russell, Marilyn Monroe e grande elenco.

Durante as filmagens, a impressionante diferença salarial entre Jane e Marilyn não impediu que mantivessem um clima de camaradagem tamanha era a afeição e carinho que Jane dedicava a novata Marilyn. Porém, a loira vivia em pé de guerra com os produtores pleiteando melhores condições de trabalho e sobretudo um camarim para uso próprio, pois como bem afirmava em bom tom, era ela a loira do título.

terça-feira, 6 de março de 2012

Don't Bother to Knock - Almas Desesperadas

Ao longo dos anos o cinema criou muitos mitos que se confundiram com a própria realidade, algumas estrelas e astros como Greta Garbo, James Dean, Marlene Dietrich, Marlon Brando, Audrey Hepburn, Clark Gable, Elizabeth Taylor, entre outros; deixaram um legado a várias gerações que os seguiram, criando estilos, trejeitos, bordões e tantas fantasias que seria impossível enumerá-las. Mas certamente, nem tantas conseguiram fazer parte dos sonhos e fantasias dos fãs quanto a irreverente Marilyn Monroe. Seria inútil tentar disfarçar a minha admiração por esta atriz fascinante pois me considero uma fã incondicional de seu carisma. Portanto, permitam-me neste ano em que completamos 50 sem a sua presença, dedicar os próximos posts a todos aqueles que como eu, não conseguem conter o brilho nos olhos toda a vez que a vêem nas telas. Trarei algumas curiosidades particulares, filmes, parcerias, músicas e um retrato do mito transformado na simples mortal Norma Jeane.

Baseado na obra de Charlotte Armstron, em 1952 dirigido por Roy Ward Baker chegava as telas do cinema o filme Don't Bother to Knock (Almas Desesperadas), estrelado pela jovem Norma Jeane, simplesmente Marilyn Monroe; Richard Widmark e Anne Bancroft. O enredo do filme baseia-se na história envolvendo uma jovem problemática Nell Forbes (Monroe) que aceita um trabalho provisório de babá por uma noite. Precisando dos serviços de uma acompanhante, o casal Peter e Ruth Jones (respectivamente Jim Backus e Lurene Tuttle) aceita contratar a sobrinha de Eddie Forbes (Elisha Cook Jr) ascensorista do hotel onde moravam. Paralelamente, o conquistador Jed Towers (Richard Widmark) vivia um momento conturbado com a namorada Lyn Lesley (Anne Bancroft). De repente, o destino coloca-o no caminho da bela Nell, e a medida que o relacionamento se desenvolve, a personalidade desequilibrada de Nell começa a aflorar tomando proporções extremamente perigosas, colocando em risco a vida do próprio tio e da pequena Bunny (Donna Corcoran) a quem deveria cuidar e proteger. Para quem espera um musical cheio de luzes esta obra mostra um outro lado pouco explorado da estonteante Marilyn Monroe.


Bastidores: A Estreia de Anne Bancroft - Marilyn Monroe e Lionel Newman; juntos pela primeira vez.
(Na foto: Monroe e Richard Widmark) O filme trouxe algumas curiosidades a parte, marcou a estreia de Anne Bancroft nas telas, assim como a primeira parceria entre Monroe e o compositor Lionel Newman, sendo que a música dos créditos já havia sido utilizada no filme Panic in the Streets (1950). Segundo a própria Marilyn, esta foi a personagem que ela mais gostou de interpretar, além de ser o primeiro papel principal que desempenhou na carreira. O filme ganhou uma nova versão em 1991 intitulada Baby Sitter (A Noite do Delírio).



Aproveitando a oportunidade, convido-os a visitarem a Exposição: QUERO SER MARILYN MONROE que está em exibição na Cinemateca (SP) de 04 de março até 01 de abril de 2012. A mostra traz um acervo inédito além das obras cinematográficas da atriz. Para maiores detalhes acessem: Cinemateca ou Marilyn Monroe.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Our Hospitality - Nossa Hospitalidade

É impossível falar sobre os tempos áureos do cinema mudo e não citar ícones como Charlie Chaplin, Harold Llyod e Buster Keaton. As produções de Chaplin alcançaram níveis extraordinários de popularidade, deixando assim grandes atores em segundo plano. Este é o caso típico de Buster Keaton considerado um de seus maiores rivais (e amigo) desta época memorável. Dono de um estilo único e cativante, Buster dirigiu, produziu e atuou em diversos filmes, dentre eles Our Hospitality (Nossa Hospitalidade), do qual reservarei as próximas linhas para conduzí-los a esta divertida comédia. Estrelado por Buster Keaton, Natalie Talmadge, Joe Roberts, Joe Keaton, entre outros, o filme foi lançado em 1923 e gira em torno da rivalidade entre as famílias Canfield e McKay.

Buster interpreta o jovem Willie McKay que retorna a sua cidade natal após a morte do pai em busca da herança deixada por ele. Ao chegar envolve-se com Virginia Canfield (Natalie Talmadge) filha de Joseph Canfield (Joe Roberts) patriarca da família Canfield. O filme envolve uma série de situações extremamente cômicas que ressaltam o grande talento de Buster Keaton. A produção tem pouco mais de uma hora de duração mas são incontáveis minutos de pura diversão que vai desde o início, numa hilariante viagem de trem até o final mais ou menos previsível. Para os fãs do gênero, é uma ótima pedida.


Bastidores: A morte de Joe Roberts e a gravidez de Natalie Talmadge. Uma produção realizada no Keaton's Hollywood studio.
Primeira produção cinematográfica a conter três gerações de uma família, sendo que o primeiro ator representava o pai, o segundo o filho e por fim Buster Keaton como o neto, e último representante da família. As cenas de tiroteio foram todas filmadas em Oregon, Califórnia; com exceção das cenas na cachoeira. Considerada uma das mais famosas do filme de Keaton, foi filmada no seu próprio estúdio em Hollywood. Além disso, ele foi o responsável por selecionar o ano em que o filme aconteceria, para que assim pudesse reproduzir o modelo Stephenson's Rocket da locomotiva, pela qual tinha uma paixão desde garoto.

Vale ressaltar que o cavalo que ganhou destaque na produção também foi escolhido pelo próprio Keaton. No entanto, infelizmente, um fato triste ocorreu durante as filmagens; quando Joe Roberts, que era seu amigo pessoal, e fazia parte do elenco, sofreu um AVC e não resistiu, vindo a falecer logo após a conclusão do filme. Curiosidade a parte, sua mulher Natalie Talmadge (e também estrela do filme) estava grávida de seu segundo filho, e no final das filmagens, foram necessários alguns truques de gravação para que pudessem esconder a "barriguinha saliente". Atualmente o DVD está disponível em alguns sites de venda online. Mas Buster Keaton não se resume apenas a esta obra, em breve lhes presentearei com uma série de outras obras tão ou mais divertidas que esta.

Na próxima edição, trarei algumas curiosidades sobre sua vida pessoal e a rivalidade criada pelo público entre ele e Chaplin. Aguardem!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

The Kid - O Garoto

Quando falamos sobre as produções de Charles Chaplin, é comum associarmos seus filmes a comédia e a crítica social. Dentre os muitos que Chaplin dirigiu e estrelou, está The Kid (O Garoto) lançado em 1921, com Edna Purviance, Carl Miller, Tom Wilson, Henry Bergman, Lita Grey e Jackie Coogan no elenco. A história começa com uma mãe (Edna Purviance) desesperada carregando o filho (Baby Hathaway) nos braços. Acreditando que um carro de luxo estacionado na porta de uma mansão fosse do dono da residência, a mãe aos prantos, coloca seu filho no carro, acreditando ser esta a única e melhor opção para que ele tenha tudo o que precisa. Posteriormente, com a saída do carro do local, a mãe fica desesperada ao saber que o carro foi roubado por dois bandidos. No entanto, os dois rapazes ao notarem a presença do bebê, optam por deixá-lo na rua. A partir daí, com uma mistura de drama e comédia, O Vagabundo (Chaplin) encontra o pequeno garoto e inicialmente, sem saber o que fazer, o coloca junto com outro bebê no carrinho de uma mulher. Recusado pela mulher, o garoto volta aos braços de Chaplin que ao encontrar um bilhete, decide cuidar do menino dando a ele o nome de John.

Cinco anos depois, John (Jackie Coogan) e Chaplin tornam-se inseparáveis, sendo parceiros até no trabalho, enquanto Jonh quebra os vidros da vizinhança, Chaplin passa pelas ruas para consertar. Não muito longe dalí, a mãe do garoto que agora está rica, passa a maior parte do seu tempo ajudando os mais necessitados. Em determinado momento, John adoece e os médicos descobrem que Chaplin não é seu pai. Destinado a ir embora para o orfanato, as cenas que seguem a partir deste momento fazem o telespectador ir desde o sorriso até a lágrima.


A história por trás das câmeras - A morte de Norman Spencer Chaplin e outras curiosidades.
Considerado o primeiro longa-metragem a unir gêneros tão distintos (drama e comédia), a produção escrita, dirigida e protagonizada por Charles Chaplin mostra um lado triste, porém realista de sua infância em Londres, misturado com a dor da perda de seu filho Norman Spencer Chaplin no início das gravações. Há uma história curiosa sobre o filme, acredita-se que em 1920, logo quando as gravações foram concluídas, a esposa de Chaplin Mildred Harris, pegou o filme como parte da divisão de bens. Posteriormente, Chaplin e alguns colegas recuperaram os negativos e refizeram a produção com uma nova trilha sonora. Curiosidade a parte, a atriz Lita Grey que interpreta o anjo em The Kid (O Garoto) foi a segunda esposa de Charles Chaplin. O ator mirim Jackie Coogan foi um dos primeiros a receber honras de grandes personalidades, como príncipes, presidentes e até do papa.

Visto como uma das melhores obras de Chaplin, o filme ganhou notoriedade por fazer o telespectador sentir todas as emoções possíveis em pouco menos de uma hora. Conhecido também pela frase "A picture with a smile, and perhaps a tear..." (Um filme com um sorriso, e talvez uma lágrima), em 2011 The Kid foi escolhido para ser preservado na Library of Congress' National Film Registry. Atualmente, a obra pode ser vista em canais como Telecine Cult, e/ou ser adquirida em DVD.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Queen Christina - Rainha Cristina

Produção norte-americana de 1933, o filme Queen Christina dirigido por Rouben Mamoulian; conta a história de Christina rainha da Suécia no século XVII. Estrelado por Greta Garbo no papel título, o filme revela uma versão fictícia da abdicação da Rainha ao trono. Ainda criança, com apenas seis anos de idade, após a morte do pai em combate, vê-se na difícil tarefa de assumir o trono de uma nação chocada pela morte de seu rei. Extremamente dedicada a seu país, Christina vive uma vida solitária renunciando a compromissos amorosos e a ideia de casamento, permitindo-se apenas um flerte com seu tesoureiro Oxenstierna (Lewis Stone).

Apesar de todos os esforços contrários de seus conselheiros Magnus (Ian Keith), Condessa Ebba Sparre (Elizabeth Young) e de seus súditos que desejavam vê-la casada com seu primo Karl Gustav (Reginald Owen), o qual era tido como um herói nacional, ela mantinha a sua opinião inalterada. Num certo dia, cansada da rotina e pressão dentro do palácio, resolve cavalgar além dos limites da cidade disfarçada de homem acompanhada apenas de seu fiel protetor Aage (C. Aubrey Smith). Nesta ocasião, encontra-se com Antonio (John Gilbert), mensageiro enviado pelo rei da Espanha que trazia um pedido de casamento para a rainha Christina.

Num capricho do destino, os dois acabaram por dividir um quarto numa estalagem durante uma nevasca; o que obrigou-a revelar o seu disfarce. Com isso, acabou se envolvendo física e emocionalmente com Antonio, que não tinha ideia de que aquela jovem em seus braços era a rainha a qual vinha visitar. A partir daí, uma sucessão de fatos ocorre envolvendo os dois personagens, toda a corte sueca e seus súditos. A obra é uma ficção histórica que produz uma versão para a renuncia de Christina ao trono, e retomou a brilhante carreira de Greta Garbo.





Bastidores: Críticas e Curiosidades.
Orçado em 1,114,000 mil dólares, o filme trouxe um retorno em volta de 2,610,000 mil dólares; sendo bem aceito pelos críticos de cinema, recebeu uma nota especial de Frederick William Mordaunt Hall no New York Times. Fascinada com o trabalho de Laurence Olivier, Greta pediu que fosse ele a interpretar Antonio. Entretanto, durante os ensaios não conseguiram atingir o efeito desejado, a MGM honrou o compromisso financeiro com Laurence, porém a escolha caiu sobre John Gilbert. Em 1934, o diretor Rouben Mamoulian foi indicado ao prêmio de melhor diretor no Festival de Veneza. Como em todos os clássicos, algumas frases marcaram a obra, dentre as quais destaco:

"One can feel nostalgia for places one has never seen."(Qualquer um pode ter nostalgia de lugares que nunca esteve); e também: "I have imagined happiness. But happiness you cannot imagine. Happiness you must feel! Joy, you must feel!" (Eu imaginei a felicidade. Mas a felicidade não se pode imaginar. Felicidade você deve sentir. Você deve sentir!). Assim como outras obras de Greta Garbo, o filme Queen Christina, também ganhou versão em DVD.





A verdadeira Rainha Christina
A verdadeira Rainha Christina nasceu em 18 de Dezembro de 1626 e sucedeu o pai no trono quando tinha apenas 6 anos de idade. Sua história de vida serviu de inspiração para peças teatrais, produções cinematográficas e até para literatura. Conhecida pelo seu jeito masculino e pelo seu gosto pelas artes, ciência, literatura e religião, Christina abdicou ao trono para converter-se ao catolicismo (diante dos protestantes). Embora esse tenha sido um dos principais motivos, não foi o único; pois segundo a própria, ela precisava descansar e seus modos não estavam agradando os demais. Em seu último discurso, retirou a coroa, e transferiu-a para Carlos Gustavo, diante de seus súditos e conselheiros. Faleceu em 19 de Abril de 1689 aos 62 anos de idade.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

The Wizard of Oz - O Mágico de Oz

Em 1939, o diretor Victor Fleming dirigiu um dos melhores filmes de todos os tempos, baseando-se na obra de L.Fank Baum, The Wizard of Oz (O Mágico de Oz). Com um elenco grandioso que contava com Judy Garland, Frank Morgan, Ray Bolger, Jack Haley, Bert Lahr, Billie Burke e Margaret Hamilton, foi possível produzir uma obra prima, que até hoje ainda encanta muitas pessoas. Caracterizado pela simplicidade, pelas frases marcantes, pela canção Somewhere Over The Rainbow interpretada por Judy Garland, e principalmente pelo longo caminho de tijolos amarelos, o filme começa mostrando a vida de Dorothy (Judy Garland) que vive com seus tios Em (Clara Blandick) e Henry (Charley Grapewin) e mais três amigos Hickory (Jack Haley), Hunk (Ray Bolger) e Zeke (Bert Lahr) no Kansas.

Acompanhada por seu fiel amigo, o cãozinho Totó, Dorothy é surpreendida pela malvada Miss Almira Gulch (Margaret Hamilton) que aparece na fazenda para avisar Dorothy que Totó ficará com ela. Desesperada, a pequena garotinha foge até encontrar a barraca do vidente Professor Marvel (Frank Morgan). Utilizando de meios duvidosos para prever o futuro de Dorothy, o Professor Marvel garante a ela que sua tia adoeceu e precisa que ela volte pra casa. Arrependida por ter fugido e assustada com a visão do Professor, volta ao encontro de sua tia. No entanto, no caminho de volta, um tornado se aproxima da região e Dorothy é a única que não consegue escapar, ficando presa em seu quarto.

A partir deste momento, o cenário que antes tinha aspecto envelhecido ganha cores, começa então uma longa jornada através da estrada de tijolos amarelos em busca do Mágico de Oz. No misterioso lugar, conhece Glinda, a Bruxa Boa do Norte (Billie Burke) que lhe parabeniza por ter matado a Bruxa Má do Leste. Os moradores daquele lugar, conhecidos por Munchkins, saem pelas ruas e dão início a uma sequência de músicas para festejar a morte da Bruxa. De repente, uma nuvem de fumaça aparece em meio aos moradores e surge a Bruxa Malvada do Oeste (Margareth Hamilton), para buscar os sapatos de rubi da outra bruxa; porém Glinda os transfere para Dorothy e isso faz com que a Bruxa Malvada do Oeste lhe ameace.

Decidida a voltar pra sua casa no Kansas, é orientada pela bruxa a seguir o caminho dos tijolos amarelos, sem nunca tirar os sapatos. Durante o longo caminho, conhece o Espantalho (Ray Bolger), o Homem de Lata (Jack Haley) e o Leão covarde (Bert Lahr); o primeiro quer um cérebro, o segundo um coração e o terceiro coragem. Os quatro amigos partem em direção a Emerald City para que o Mágico de Oz realize seus desejos. Até o desfecho do filme, o quarteto passa pelas mais diversas situações, e cabe somente a Dorothy resolver os problemas para que possa enfim voltar para Kansas... Talvez seja necessário fechar os olhos, bater os sapatinhos de rubi e dizer: "There’s no place like home" (Não há lugar como nosso lar).

L. Frank Baum e O Maravilhoso Mágico de Oz - Onde tudo começou. Produção: Curiosidades, frases marcantes e premiações.
Em 1900 L. Frank Baum publicou o livro O Maravilhoso Mágico de Oz, o qual vendeu mais de um milhão de cópias. Dois anos depois, o livro ganhou uma adaptação no musical de Paul Tietjens e Julian Mitchell, isso talvez tenha impulsionado a MGM a comprar os direitos de uma nova adaptação sobre o livro. As filmagens começaram em 1938 e o filme foi lançado em 25 de agosto de 1939. Apesar da qualidade da produção, foram necessárias algumas mudanças, por exemplo na cor dos sapatos. Enquanto no livro eles são de prata, no filme eles são de rubi.

Embora a versão de 1939 tenha alcançado níveis extraordinários de popularidade, a primeira foi feita em 1910, seguida por outra em 1925. Durante as filmagens do clássico de 1939, o elenco passou por diversas mudanças; inicialmente, pensaram em colocar Shirley Temple como protagonista, no entanto, o papel já estava destinado a Judy Garland. Além disso, Ray Bolger que fez o Espantalho, faria o Homem de Lata, porém, insatisfeito com o personagem e sua própria atuação, convenceu o diretor a mudar os papeis. O filme foi indicado ao Festival de Cannes e seis vezes ao Oscar, saindo vencedor em duas categorias. Muitas frases marcaram o Mágico de Oz, no entanto, algumas ainda são mencionadas atualmente.

A mais conhecida, e talvez a mais bonita foi dita pelo próprio Mágico de Oz ao Homem de Lata que desejava ter um coração: "E você, meu amigo galvanizado, você quer um coração. Você não sabe o quão sortudo és por não ter um. Corações nunca serão práticos enquanto não forem feitos para não se partirem". Seguido por uma outra frase, desta vez do Homem de Lata: "Agora eu sei que tenho um coração, porque ele está partido".

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Körkarlen - A Carruagem Fantasma

Falar sobre as produções cinematográficas da década de 20 na Suécia e não citar o grande ator e diretor Victor Sjöström, é como falar sobre o cinema brasileiro e não citar Glauber Rocha. Em 1921, Victor dirigia e estrelava o clássico Körkarlen (A Carruagem Fantasma), baseado na obra de Selma Lagerlöf. O filme lançado no Ano Novo deixou o público bastante intrigado e surpreso, não só pela história em si como também pelos efeitos especiais. Na véspera de Ano Novo, três amigos bêbados reúnem-se para conversar, até que David Holm (Victor Sjöström) evoca uma lenda, que diz: Se a última pessoa que morrer na véspera do Ano Novo for pecadora, ela passará a guiar a Carruagem Fantasma que recolhe todas as almas dos mortos; mencionando também o amigo Georges (Tore Svennberg), que morreu na véspera de Ano Novo. Enquanto isso, a jovem Edit (Astrid Holm - uma irmã do Exército da Salvação) que está prestes a morrer, tem como último desejo falar com David. Sua mãe (Concordia Selander) e seu amigo Gustafsson (Tor Weijden) fazem de tudo para que isso aconteça, no entanto quando Gustafsson o encontra, David se recusa a falar com Edit.

Mesmo bêbados, os dois amigos de David tentam convencê-lo a falar com ela, o que principia uma briga na qual David é morto. Como diz a lenda, a Carruagem Fantasma se aproxima para recolher a alma daquele que morreu na véspera do Ano Novo, para que possam trocar de lugar. A sequência que se segue a partir do momento em que o espírito de David sai do seu corpo, é emocionante. O uso de flashbacks dentro de flashbacks, trazem à tona boas e más lembranças da alma pecadora de David em relação a Edit e principalmente a sua mulher Anna Holm (Hilda Borgström) e seus filhos. Dentre as muitas memórias está uma cena onde David aparece bêbado e agressivo em sua casa e acaba sendo preso na cozinha por sua mulher.

Irritado, ele pega um machado e quebra a porta, e aqui vale uma observação para quem assistiu O Iluminado de Stanley Kubrick é possível relacionar alguns fatos. Destinado a ser o próximo motorista da Carruagem Fantasma, ele reconhece o atual motorista como seu amigo Georges, o que lhe causa certo aflito. Até o desfecho do filme, cabe a David rever seus atos e escolher o melhor caminho para que sua alma possa descansar em paz. Porém, após ir a casa de sua mulher toma uma atitude irreversível, fazendo do final do filme algo emocionante. Para quem tiver curiosidade, e quiser assistir a este clássico do cinema sueco, basta clicar aqui.

Körkarlen - Bastidores: A adaptação de Selma Lagerlöf em uma produção grandiosa e inovadora. O filme mais importante da história, segundo Ingmar Bergman.
Em 1917 houve um acordo entre Selma Lagerlöf e a AB Svenska Biografteatern, para que uma de suas obras ganhasse uma versão cinematográfica. Inicialmente parecia impossível passar toda a magia existente nas obras para as telas, no entanto, após oito dias ininterruptos escrevendo, Victor Sjöström entregou-lhe o roteiro completo, o qual superou todas as expectativas, e ganhou a tão esperada versão cinematográfica.

Apesar da sugestão de Selma para que o filme fosse gravado em Landskrona, o diretor optou em fazê-lo no estúdio, o que não influenciou em nada na produção. Os efeitos utilizados no filme provocam uma estranha sensação a quem o assiste, e eles foram responsáveis para que o clássico, além de emocionante, também fosse inovador. Curiosidade a parte, a cena das machadadas foi baseada no filme de D.W. Griffith, Broken Blossoms (1919), e também apareceu no filme de Stanley Kubrick, O Iluminado. A trilha sonora composta por Ture Rangström, Mendelsohn, Saint-Saëns e Max Reger, fazem do filme algo sinistro e ao mesmo tempo melancólico, além de combinar perfeitamente com o enredo.

Segundo Ingmar Bergman, este é o filme mais importante da história, e lhe serviu de inspiração para os filmes: O Sétimo Selo, Morangos Silvestres (estrelado por Victor Sjöström) e The Image Makers. Em 2008 o filme foi lançado em DVD numa parceria entre a Palisades Tartan e Swedish Film Institute.
 
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