quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Lil Dagover

Nascida Marie Antonia Siegelinde Martha Seubert em 30 de setembro de 1887, nas Índias Orientais Holandesas(atualmente Indonésia), Lil Dagover foi uma atriz que fez carreira no teatro e na televisão. Aos dez anos de idade, foi enviada pelos pais à Europa para completar seus estudos. Tão logo completou sua formação, passou a empenhar-se na carreira de atriz de teatro, estreando no cinema em 1913 aos cuidados do diretor Louis Held. Casou-se em 1917 com o também ator Fritz Daghofer com o qual teve uma filha Eva Marie; separou-se dois anos mais tarde e a partir daí fez uma adaptação no sobrenome do ex-marido passando a usar o nome artístico Dagover. Em 1919, estrelou no filme Harakiri do diretor Fritz Lang com o qual participou de mais três filmes: Der Müde Tod, Spiders e Mabuse der Spieler. Em 1923 passou a trabalhar com o diretor Robert Wiene tendo como grande destaque a participação no filme "O Gabinete do Dr. Caligari" (Das Kabinett des Doktor Caligari).

A década de 20 lhe trouxe muitas surpresas, pois além de ser considerada uma das atrizes mais populares da época, atuou em grandes obras de renomados diretores, tais como: FW Murnau, Lothar Mendes e Carl Froelich. Ainda na década de 20 casou-se novamente, desta vez com o produtor Georg Witt, o qual lhe acompanhou em diversas produções. Com pouco mais de 40 filmes lançados apenas na década de 20, tanto na Alemanha, quanto na França e Suécia, Lil Dagover surpreendeu os críticos com tamanho talento. Após um período de inovações no mundo cinematográfico, o cinema falado tomaria o lugar dos filmes mudos. Agora, exercendo papeis ora principais, ora como coadjuvante, decidiu gravar apenas na Alemanha, com exceção ao filme "The Woman from Monte carlo de 1932, ao lado de Walter Hutson e do diretor Michael Curtiz.

Um ano após o lançamento do filme, voltou à Alemanha, onde recebeu diversos prêmios, inclusive o War Merits Cross, por entreter os soldados, juntamente com outros atores durante a Segunda Guerra Mundial. Atriz favorita de Hitler, Lil Dagover foi convidada pelo próprio a vários jantares. Curiosamente, logo após a derrota da Alemanha, estrelou na produção cinematográfica anti-nazista Die Söhne des Herrn Gaspary. Entre as décadas de 60 e 70, atuou em diversas séries e foi convidada a vários programas de televisão alemães. Sua última aparição foi no filme Der Richter und sein Henker em 1975. Quatro anos depois publicou sua autobiografia Ich war die Dame ( I Was A Lady) falecendo um ano depois no dia 24 de janeiro aos 92 anos de idade.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Bernhard Goetzke

Bernhard Goetzke nasceu no dia 5 de junho de 1884. Pouco se sabe sobre sua vida pessoal, mas sua filmografia conta com mais de 100 títulos. Apesar de ter marcado sua estreia no cinema em 1917 no filme "Furcht", seu personagem mais marcante foi no filme de Fritz Lang (A Morte Cansada) interpretando a própria morte. O apogeu de sua carreira iniciou-se em meados da década de 10 e foi até a década de 60. Dentre suafilmografi, destaco: The Indian Tomb, Der Müde Tod, Die Die Nibelungen, Dr. Mabuse the Gambler, The Blackguard, The Last Days of Pompeii, The Black Hussar e a série Elisabeth von England de 1961, a qual foi a sua última aparição no cinema. Vale ressaltar que grande parte dos filmes em que fora convidado eram dirigidos por ninguém mais, ninguém menos que Fritz Lang. Apesar de sua grande atuação em Der Müde Tod, seu personagem em Die Nibelungen, Volker von Alzey, também merece destaque. A série criada por Fritz Lang, foi baseado no poema épico Nibelungenlied e lançado em 1925.

(Imagem ao lado, Bernhard Goetzke interpretando o Volker von Alzey no filme Die Nibelungen) O filme possui duas partes, Die Nibelungen: Siegfried e Die Nibelungen: Kriemhild's Revenge. No dia 7 de outubro de 1964, faleceu aos 80 anos de idade.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Morte Cansada - Der Müde Tod

Der müde Tod, em alemão, Destiny em inglês e A Morte Cansada em português, é uma obra prima de um dos maiores diretores de todos os tempos, Fritz Lang. Estrelado por Lil Dagover, Walter Janssen e Bernhard Goetzke, foi lançado em 1921. O filme despertou o interesse de Luis Buñuel em arriscar-se no cinema, além de ser considerado por Alfred Hitchcok, um dos melhores de todos os tempos. Com um enredo intrigante e a trilha sonora envolvente, a história começa com um estranho personagem acompanhando um casal apaixonado que está aproveitando a lua de mel. O novo morador da pequena cidade causa espanto nas pessoas, tanto pela sua aparência, quanto pelo brilho sinistro de seus olhos. Até que, por um momento, o rapaz que acabara de se casar desaparece misteriosamente; e sua esposa desesperada, passa a procurar pelo marido por toda a cidade, sem encontrá-lo. Cansada e sem forças para continuar sua busca, resolve parar para descansar.

Aos prantos, é interrompida por uma multidão de espíritos que atravessa um grande muro, que fora construído pelo estranho personagem. Dentre os espíritos, vislumbra seu marido, causando uma sensação indescrítivel, tanto para a personagem, quanto para quem está assistindo. Emocionada, desmaia e é socorrida por um velho alquimista. Quando finalmente recupera os sentidos, percebe que está numa casa rodeada por livros e poções. Sua curiosidade faz com que ela folheie algumas páginas de um livro que se encontrava em cima da mesa e então ela lê a frase " O amor é mais forte que a morte". Isto lhe dá toda a coragem de que precisava para que beba uma dose de veneno e morra.

No misterioso lugar em que ela se encontra, o enigmático personagem, que encarna a própria morte, aparece. Decidida a trazer seu marido de volta à vida, a mesma faz um acordo com a entidade, a qual lhe dá três chances de resgatar seu grande amor. Conduzindo-a até uma sala repleta de velas, onde cada uma representa uma vida, ele separa três delas ligadas ao seu marido. O desafio determina que ela salve ao menos uma destas vidas, encarnadas em cada vela, para que ambos voltem a conviver no mundo dos vivos. A partir daí, acompanhamos a aflição da jovem ao enfrentar as mais difíceis situações e inimigos em três realidades diferentes, tentando reverter o trágico final de cada uma. Este desafio conduz a desesperada personagem à uma Região Islâmica, à Veneza e à China Imperial. Em cada uma dessas situações a morte está sempre presente para impedir que eles fiquem juntos. A história, o cenário, o figurino e os efeitos especiais, que embora sejam simples, impressionam; e nos faz viajar junto com os personagens ao longo da história.

Até o desfecho da trama, muitas coisas acontecem, e cabe a ela decidir o seu futuro junto ao marido. Com um elenco que impressiona, pela qualidade e expressividade, o filme de Fritz Lang mostra um lado espiritual que mexe com a nossa imaginação, provando que o verdadeiro amor pode nos conduzir a atitudes extremas e muitas vezes irreversíveis.



Foi uma experiência das mais prazerosas assistir a este belo filme, o qual indiquei para vários membros, para que pudessem compartilhar desta mesma experiência. Fiquei feliz em receber os comentários abaixo relacionados de algumas amigas que já assistiram a esta obra. Aqueles que ainda não conhecem esta obra, deixo aqui esta oportunidade.

Jane dos Anjos : A Morte Cansada foi um filme apresentado pra mim pela Rubi,e tenho que dizer que é um dos melhores filmes antigos que eu já vi,ele consegue juntar suspense e drama ao mesmo tempo e tem uma linda historia de amor.Os pontos positivos do filme são os atores, a atriz principal tem uma expressão incrivel e a cada cena ela fica ainda mais incrível e a morte, nossa, como foi bem representada e como ficou real. Os pontos negativos pra mim não teve, a falta de fala do filme faz dele ainda mais especial é uma obra clássica e cheia de emoção! Se fosse refeita nos tempos de hoje seria com certeza um sucesso. Este filme eu recomendo.

Kuki Bertolini: A Morte Cansada é uma fabula maravilhosa feita pelo grande Fritz Lang em meados dos anos 20 (uma obra bem complexa para a época, aliás). Um filme com uma linda história do poder, da força que o amor verdadeiro tem, inclusive sobre a morte. Uma jovem perde seu amante e vai atrás da Morte para implorar pela vida do mesmo. A Morte, cansada de todo o sofrimento que causa aos humanos, lhe impõe 3 desafios e se ela vencer, poderá levar seu amor embora. Usando de belas metáforas, como a vida representada pelas chamas das velas, o filme nos prende a atenção do começo ao fim. O sofrimento e a dor imposta pela garota pela perda nos emocionam, a sua coragem no final do filme quase me fez chorar. Um filme que transborda sentimentos, que nos faz sentir toda a agonia que ela tem a cada desafio que perde. Uma obra prima esquecida no tempo, o início da brilhante carreira de Fritz Lang! - do The Cinefile Blog.
 
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