segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Das Cabinet des Dr. Caligari - O Gabinete do Dr. Caligari

O Gabinete do Dr Caligari é um filme alemão dirigido por Robert Wiene em 1920. Considerado um dos principais títulos quando se fala sobre expressionismo alemão, a obra ainda é utilizada para pesquisas e muitas vezes comparada a época sombria da Alemanha Nazista. Segundo Hans Janowitz, um dos escritores, a história surgiu após um de seus muitos passeios por Hamburgo. Enquanto caminhava pelas ruas, sentiu-se atraído por uma jovem mulher e resolveu segui-la; para sua surpresa, ela caminhou em direção a uma pequena barraca onde um hipnotizador fazia seu show. Cansado de tanto esperar, retornou para seus aposentos e adormeceu. No dia seguinte, recebeu a notícia de que a mesma mulher havia sido encontrada morta, e curiosidade à parte, durante o enterro, Hans avistou o homem da barraca. Verdade ou não, com a ajuda de Carl Mayer, que sugeriu o nome Caligari, estava dado o primeiro passo para aquela que seria considerada uma das produções mais influentes de todos os tempos.

O filme começa com dois homens conversando, até que um deles, Francis (Friedrich Fehér), decide contar uma história. O cenário que antes era um local escuro e sinistro, dá espaço para uma região montanhosa e distorcida da Alemanha. Dr. Caligari (Werner Krauss) aparece andando pelas ruas e decide falar com um homem, aquele que era responsável por organizar as apresentações na feira da cidade, dizendo que seu show de sonambulismo poderia concentrar muitas pessoas. Após trata-lo mal, mostrou-se interessado e aceitou a proposta de Caligari; porém naquela noite, o mesmo homem morreu misteriosamente. No grande dia, acompanhado por Cesare, o sonâmbulo (Conrad Veidt), o qual tinha o dom de prever o futuro das pessoas, o Dr. deu início ao seu show.

Atraído pela curiosidade, Alan (Hans Heinrich von Twardowski) resolve perguntar para o sonâmbulo quanto tempo ainda lhe resta para viver, e descobre que tem pouco menos de um dia. Perturbado, caminha pelas ruas sem rumo e misteriosamente, como numa profecia, é encontrado morto no dia seguinte. Francis, desconfiado com a sequência de mortes, decide investigar e suspeita de Caligari e Cesare. Com a polícia envolvida no caso, a próxima vítima é Jane (Lil Dagover), noiva de Francis, porém, Cesare apaixona-se por ela e durante uma perseguição, com a mulher nos braços, acaba morrendo no caminho. Até o desfecho da trama muitas situações são criadas, e para quem assiste até mesmo o final é um grande mistério. Aos interessados, deixo aqui o filme completo.

Produção, filmagens e adaptações - Teria sido premonição ?
As filmagens começaram em 1919 e foram até 1920,ano em que o filme foi lançado na Alemanha. Muitos dos produtores que juntaram-se a Robert Wiene sugeriram que o desfecho fosse menos sinistro, e o final original que dava a ideia de que Caligari e Cesare eram os culpados pelos crimes, foi trocado pela cena onde Francis aparece num manicômio, dando a ideia de que tudo aquilo não passou de sua imaginação. Apesar das mudanças, o filme continua sendo um clássico do expressionismo alemão e nem mesmo as versões que foram feitas ao longo dos anos superaram as expectativas.

Entre as décadas de 30 e 40, a Europa enfrentaria um dos piores momentos da históra, em particular a Alemanha, que na época estava sob o comando de Hitler. Os boatos que surgiram comparando a personalidade de Caligari (e dos meios que utilizava para atrair as pessoas através da hipnose) com a de Hitler, fizeram do filme uma premonição do que viria a ser um verdadeiro holocausto.

domingo, 4 de setembro de 2011

I Love Lucy - Parte Final

Nascida Lucille Désirée Ball no dia 6 de agosto de 1911, a irreverente Lucy foi uma atriz, comediante e modelo que fez muito sucesso no cinema, rádio televisão e teatro principalmente com a série I Love Lucy exibida CBS nas décadas de 50 e 60. Órfã do pai aos três anos de idade, Lucy teve uma infância difícil sendo criada pela mãe e pelos avós. E foi justamente seu avô Fred, um apaixonado por teatro e pela arte que a incentivou a seguir os primeiros passos no mundo artístico. Quatro anos mais tarde, sua mãe casou-se com Edward que era Shriner (uma fraternidade baseada no companheirismo e diversão e princípios maçônicos). E sempre que a Organização precisava de mulheres para compor o coro de seus shows, Edward incentivava Lucy a fazer parte do mesmo. Com isso, Lucy passou a desenvolver seu talento para os palcos. Após estudar na Escola de Arte Dramática de Nova York, passou a trabalhar na Broadway com o nome de Diane Belmont. Posteriormente, mudou-se para Hollywood e estreou no curta Three Stooges (1934).

Em 1938 atuou no filme Room Service ao lado dos Irmãos Marx e dois anos depois e ao lado de Fred Astaire participou de The Marines Fly High. Em 1940 casou-se com Desi Arnaz com quem criou um programa de rádio ("My Favorite Husband") que mais tarde deu origem ao seriado I Love Lucy, e a fundação dos Estúdios Desilu. Mãe de dois filhos, sendo que o primeiro nasceu durante as filmagens da Segunda Temporada da série, Lucy ficou casada até 1960. Depois de encerrar seus trabalhos no seriado, passou a trabalhar no teatro e televisão, até sua morte no dia 18 de abril de 1989. Atriz premiada e homenageada até os dias de hoje pela sua enorme contribuição deixada ao cinema e teatro.

Nascido Alberto Desiderio Arnaz y de Acha III no dia 2 de março de 1917, Desi Arnaz foi um ator, músico e produtor que consagrou-se no mundo artístico após atuar no seriado I Love Lucy, interpretando Ricky. Com a Revolução de 1933, viu-se obrigado a morar em Miami, onde iniciou seus estudos num colégio católico. Em 1939, marcou sua estreia na Broadway e no ano seguinte foi para Hollywood, lugar onde gravou grande parte de seus filmes. Durante a Segunda Guerra Mundial foi chamado para trabalhar no hospital militar e ao retornar dos campos de batalha realizou diversas apresentações com sua orquestra para entreter os soldados. Na década de 50 estrelou ao lado de sua mulher Lucille Ball em I Love Lucy, a qual tornou-se uma das mais famosas séries norte-americanas de todos os tempos. Com o término da produção, deu continuidade em sua carreira artística participando de paródias e programas televisivos já casado com Edith Mack Hirsch. Dono de uma pequena propriedade foi diagnosticado com câncer de pulmão em 1986 e faleceu no mesmo ano, aos 69 anos de idade. Sua contribuição para o cinema rendeu-lhe duas estrelas na Calçada da Fama de Hollywood.

Outros atores: Vivian Vance, William Frawley, Keith Thibodeaux, Kathryn Card, Frank Nelson, Mary Jane Croft, Jerry Hausner, Bob Jellison, Doris Singleton, Shirley Mitchell, Elizabeth Patterson, Richard, Ronald Lee Simmons, Charles Lane, Dick Reeves, Barbara Pepper e Bob Smith.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

I Love Lucy - Parte II

Produção da Série
A partir de 1951 Jess Oppenheirner, Madelyn Davis e Bob Carrol Jr. começaram a escrever para os Estúdios Desilu, cujo os proprietários eram Lucille e Desi; os primeiros capítulos da produção tendo como pano de fundo a série de rádio "My Favorite Husband" estrelado pela própria Lucille Ball; adaptando a história para um programa televisivo. Desi manteve a sua orquestra usando-a em alguns episódios com shows musicais e na trilha sonora do seriado. Inicialmente Lucy e Desi pretendiam manter episódios quinzenais tal qual seu programa de rádio, porém com o contrato de patrocínio assinado com a Phillip Morris, esta exigiu que a produção fosse semanal e gravada em Nova York, entretanto próximo a ter seu primeiro filho, Lucy e Desi decidiram permanecer em Hollywood.

(Na foto ao lado: Jess Oppenheirner, Lucy, Madelyn Davis e Bob Carrol Jr.) A CBS produtora e a própria Phillip Morris a princípio rejeitaram a ideia temendo altos custos e só concordaram quando Lucy e Desi abriram mão de parte de seus lucros. Posteriormente, após várias adequações a série passou a ser gravada nos General Service Studios contando com a presença da plateia. Com isso, criou-se uma reação mais autêntica às cenas cômicas vivenciadas pelos atores. A série também foi pioneira na utilização de três câmeras para a filmagem o que resultou numa qualidade mais nítida das imagens transmitidas. Essa técnica também permitiu que ao longo da Segunda Temporada durante a gravidez de Lucy alguns episódios fossem reprisados resguardando-a do estresse das gravações. A partir de 1953, Desilu Productions contratou um estúdio maior para a filmagem da terceira à sexta temporada. Em 1962 após separar-se de Desi, Lucy comprou partes do Estúdio tornando-se proprietária única do mesmo. Seis anos depois, Lucy vendeu seu Estúdio para os proprietários da Paramount.

Produtos "I Love Lucy"
Na década de 50, durante o auge da série vários produtos foram criados baseados no sucesso da produção; dentre eles, bonecas, decorações, roupas e itens diversos. Ainda na esteira do sucesso, a Dell Comics criou entre 1954 e 1962 uma revista em quadrinhos baseada nos personagens centrais. Ao longo dos anos, foram muitas as homenagens, inclusive com o filme The Long, Long Trailer, que também era baseado na série. No início de 2001, a Columbia House Television lançou uma coletânea em ordem cronológica num DVD especial com todos os episódios.

No próximo domingo, encerrarei a série com mais algumas curiosidades e informações. Continuem acompanhando!

 
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