terça-feira, 3 de abril de 2012

Mädchen in Uniform - Senhoritas de Uniforme (1931)

Em 1931 a diretora Leontine Sagan levou as telas o filme Mädchen in Uniform (Senhoritas de Uniforme), baseado no romance de Christa Winsloe. Estrelado por Hertha Thiele e Dorothea Wieck, o filme gira em torno da pequena Manuela von Meinhardis (Hertha Thiele), uma garota órfã, que aos 14 anos de idade,é levada ao internato pela sua tia. Ao ser integrada ao convívio de seu novo lar, Manuela conhece a divertida Ilse von Westhagen (Ellen Schwanneke) e suas amigas Oda von Oldersleben (Ethel Reschke) e Barbara von Beckendorf (Ilse Vigdor). Alertada pelas novas amigas sobre a professora Elisabeth, a qual todas tratavam por Fräulein von Bernburg (Dorothe Wieck), Manuela fica curiosa após ouvir comentários sobre ela. No vestiário, ao receber o seu uniforme bordado com as iniciais E.v.B, questiona sobre a antiga dona do uniforme, ao que a costureira responsável pela entrega conta-lhe uma estranha história. Segundo ela, o uniforme pertencia a uma garota que havia se apaixonado pela professora Elisabeth von Bernburg. Curiosamente, somente quando passou a usar o uniforme teve seu primeiro encontro com Fräulein von Bernburg.

Ao longo da história, Manuela vive as mais engraçadas situações provocadas por suas amigas, sempre tomando o cuidado de não provocar a ira da diretora Fräulein von Nordeck (Emilia Unda) e sua fiel assistente (Marte Hein). O filme que a princípio aponta para uma comédia juvenil toma outros caminhos quando aborda os conflitos de identidade da jovem Manuela e seu envolvimento com as personagens que a cercam.


Bastidores: Inovador e polêmico - A Censura na Alemanha Nazista
Inovador e polêmico para sua época, Mädchen in Uniform foi o primeiro filme a contar com um elenco totalmente feminino, ousando abordar nas telas um tema tão delicado como o homoerotismo (atração erótica entre membros do mesmo sexo). O filme causou alguns impactos em grupos de lésbicas que foram abafados pelo grande sucesso alcançado pelo mesmo. Mädchen in Uniform alcançou grande sucesso fora da Alemanha, principalmente na Romênia, recebendo prêmios como: Best Technical Perfection no Festival de Cinema de Veneza e Melhor Filme de Língua Estrangeira no Kinema Junpo Award em 1932 e 1934, respectivamente.

Porém, o regime nazista considerou a obra decadente e tentou destruir todas as cópias disponíveis pelo país, além de perseguir todos os produtores e atrizes com descendência judaica. Apesar disso, o filme abriu espaço para que novas produções, abordando o mesmo tema, fossem produzidos nos anos que se seguiram, sobretudo a obra Anna and Elisabeth de 1933, novamente com Hertha e Dorothea no elenco. Conta-se que em 1949 Dorothy Bussy inspirou-se na história do filme para a produção de seu livro Olivia. A obra de Leontine Sagan permaneceu censurada até a década de 70 em território alemão, tendo sua exibição liberada novamente em 1977 por alguns canais de televisão.

Por fim, em 1994 foi lançada em vídeo nos EUA e em 2000 no Reino Unido. Neste intervalo de severa censura, em 1958 a história ganhou uma segunda versão para o cinema sob a direção de Géza von Radványi com algumas mudanças significativas no roteiro, tendo nos papeis principais Romy Schneider (Manuela) e Lilli Palmer (Fräulein von Bernburg).

11 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Dica mais do que anotada.

Patrícia disse...

Já assisti esse filme no TCM, muito bom..imagina como não deva ter causado na época que foi lançado.Bjs, Rubi

disse...

Parece-me muito interessante. Além de ter um elenco todo feminino, tem também uma diretora. Adoro filmes clássicos dirigidos por mulheres, grandes pioneiras.
Beijos!

Beatriz Alencar disse...

Adoro conhecer sobre esses filmes que foram avançados para sua época!! Fico imaginando, como teria sido o cinema, se não houvesse tido a censura; Obras desse tipo, teriam sido mais valorizadas e lembradas. Já que a censura sempre prejudicou os roteiristas e os diretores que não tinham liberdade para passar direito sua mensagem nas telas.
É muito legal que esse filme tenha contido apenas mulheres... Até hoje, isso é algo raro e difícil. Vou procurar assisti-lo :D

Bruh Worspite disse...

Gostei d adica!
Gosto muito de séries e filmes neste estilo, envolvendo amigas, relacionamentos e escola..

Ruby eu é que agradeço seu carinho e atenção, seu blog é show, muito informativo. Adoro muito tudo aqui e confesso que sempre que vejo algo estilo vintage, logo lembro de vc! rs


Beijos querida
http://bruhworspite.blogspot.com.br/

Iza disse...

O filme é super interessante e atual né? Aborda um assunto que é bastante questionado hoje em dia. Um filme só de mulheres, adorei esse detalhe. E melhor dirigido por uma mulher, também. Que pena que foi censurado na época ... Beijos :)

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Sou louco para ver esse filme, Rubi. Não só ele, como o remake com as ótimas Romy e Lilli Palmer.

O Falcão Maltês

Blog UaiMeu! disse...

Nenhum filme na Alemanha nazista deve ter sido liberado. Achei a história interessante. Passando pelo orfanato e a amizade com alguém divertido. Acho que precisamos de filmes assim... leves com um enredo gostoso de assistir.
Até mais, Rubi!
E boa páscoa pra vc!
Renata

Jefferson Clayton Vendrame disse...

Olá Rubi, como vai? Tudo certo?
Adoro quando traz essas "novidades" (pelo menos para mim) em seus posts, Não conheço essa produção, mas como sempre seus textos despertam o interesse...

Você pelo que percebo gosta muito do cinema Out Estados Unidos não é? Isso não ocorre comigo pois prefiro mais os filmes americanos,confesso que devo perder muita coisa boa mas tenho planos de começar a ver algumas obras de outros países.

Grande Abraço

Leonardo disse...

Olá Rubi
Esse filme eu não apenas não assisti, como nunca tinha ouvido falar. Pelo visto ele tem muita importância histórica por ter sido lançado na Alemanha nazista, com um tema que não era aceito na epoca. Está anotada a dica! Detalhe que eu abri varias abas aqui e fiquei pensando "de onde que ta vindo o hino da alemanha??" Ouvi muito esse hino vendo corridas de formula 1. hahahaha.
Você não perdeu muita coisa não vendo o remake de Psicose, nem preciso falar que o original é infinitamente melhor. e Concordo com você sobre titanic, o romance é bobinho de mais comparado com muitas outras coisas que poderiam ter sido abordadas no filme.

Tsu disse...

Oi Rubi!
Excelente resenha fiquei interessada na hora. Filmes assim, ousados para a época sempre são uma amostra do poder da arte.
AHSAHSASH sério mesmo que vc fica com vontade de assistir os animes que indico no blog? Bom teve gente que já falou que minhas resenhas são melhores do que as obras em si mas acho que isso não é verdade u.u. Tem resenha minha que acho que fica meia boca.
Nossa se você tá mandando eu correr pra ver...vou correr /o/ Acho que até tenho o filme me casa...e eu te recomendo A Pele que Habito..é psicologicamente perturbador. Eu achei.
Mas eu sofro do mesmo mal que vc..não me sobra tempo para ver filmes e animes1 E quase nem tempo pra fazer resenhas1
bjs

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