quarta-feira, 13 de março de 2013

Harold Lloyd

Dentre os grandes nomes da comédia na década de 20, três atores destacaram-se com notoriedade, Buster Keaton, Charles, Chaplin e Harold Lloyd; este último, ao contrário de Keaton e Chaplin, não era diretor de seus próprios filmes. Isso, no entanto, não impediu que criasse um estilo próprio e atuasse em clássicos inesquecíveis. O post de hoje trará uma breve biografia desta personalidade, que infelizmente, acabou sendo esquecida ou minimizada diante da versatilidade de seus grandes "rivais". Nascido Harold Clayton Lloyd em 20 de abril de 1893, Harold teve uma carreira bastante extensa com mais de 200 filmes entre o cinema mudo e falado, mais precisamente de 1914 à 1947. Lembrado por seus óculos peculiares, era o caçula de James Darsie e Elizabeth Fraser e assim como o irmão, que chegou a atuar em diversos filmes sem muita expressão, Lloyd também seguiu a carreira artística. Na infância, após a separação dos pais, optou por morar com o pai até mudar-se para Omaha, onde estudou Artes Dramáticas e marcando sua estreia nos palcos em 1912.

No ano seguinte, após ter se estabilizado no vaudeville, começou a trabalhar na empresa de Thomas Edison, onde conheceu o ator, produtor e diretor Hal Roach. No mesmo ano, Roach desligou-se da empresa de Edison e fundou seu próprio estúdio cinematográfico, arrastando consigo o jovem Lloyd que marcaria sua estreia no novo estúdio no filme The Old Monk's Tale, dando início a uma sólida e vitoriosa parceria. Com o aval de Roach, Lloyd contratou a atriz Bebe Daniels, que se tornou sua parceira de cena entre 1914 e 1919; sendo substituída por Mildred Davis, com a qual se casou em 1923, mesmo ano em que foi substituída pela atriz Jobyna Ralston.

Até 1919, talvez influenciado por Chaplin, Lloyd usava um bigode falso, porém no começo da década de 20, instigado por Roach, passou a criar seu próprio estilo adotando chapéu de palha, terno e os inconfundíveis óculos redondos. No começo da carreira, seus personagens variavam de um mendigo em From Hand to Mouth a um milionário em Captain Kidd's Kids. Deslumbrado com o potencial de Lloyd, à partir de 1921, Roach passou a investir em longas-metragens com o ator, produzindo A Sailor-Made Man. Esta experiência foi suficiente para que outros grandes sucessos viessem a seguir, como Grandma's Boy (O queridinho da Vovó), Safety Last! e Why Worry?. À partir de 1924, Lloyd encerrou a parceria com Roach e tornou-se produtor independente, criando a Harold Lloyd Film Corporation, tendo como  primeira produção o filme Girl Shy, seguido por The Freshman, The Kid Brother e Speedy, seu último filme do cinema mudo.

Em 1929 produziu Welcome Danger que deveria ter sido seu último filme mudo, porém ao final da produção Lloyd decidiu convertê-lo com diálogos, marcando sua estreia no cinema falado. As vésperas do início da Grande Depressão nos EUA, Lloyd lançou Welcome Danger que lhe rendeu grande bilheteria e durante o conturbado período político do país, conseguiu manter o mesmo padrão, abordando o tema de forma inteligente em suas produções; como Feet First, Movie Crazy, The Cat's-Paw, The Milky Way, entre outros. Nos anos 40, Lloyd tornou-se diretor e apresentador do The Old Gold Comedy Theater, uma série produzida pela NBC (rádio) e posteriormente produziu comédias para a RKO Radio Pictures. Encerrou sua carreira cinematográfica em 1947 com o filme The Sin of Harold Diddlebock; porém isso não impediu que continuasse participando de programas para TV, sobretudo no Ed Sullivan's variety show.

Lloyd também nutria certa paixão por fotografia e dentro desse contexto tornou-se conhecido por fotografar nús artísticos, para revistas masculinas, das modelos Bettie Page e Dixie Evans; e ainda tirou fotos da atriz Marilyn Monroe de maiô à beira da piscina. Essa paixão de Lloyd pela fotografia foi exibida no livro "Harold Lloyd's Hollywood Nudes in 3D!", publicado por sua neta Suzanne em 2004. Lloyd foi um autêntico incentivados de jovens talentos como Debbie Reynolds, Robert Wagner e principalmente, Jack Lemmon, o qual indicou para que o interpretasse numa cinebiografia. Em 1953 recebeu um Oscar Especial por ser considerado um mestre da comédia e bom cidadão (este último como certa afronta a Chaplin por questões políticas). Mesmo tendo conhecimento dessa particularidade, Lloyd recebeu o prêmio com humor e inteligência. Na vida pessoal, casou-se com a atriz Mildred Davis, com a qual permaneceu até 1969 quando de sua morte.

Com ela teve dois filhos, Gloria e Harold Lloyd Jr. e adotaram a pequena Gloria Freeman que posteriormente rebatizaram como Marjorie Elizabeth Lloyd. Faleceu em 8 de março de 1971 aos 77 anos de idade, vítima de câncer de próstata. Como reconhecimento a seus trabalhos recebeu duas estrelas na Calçada da Fama e um selo postal em sua homenagem em 1994. Lloyd ainda é reconhecido como um dos membros fundadores da Academy of Motion Picture Arts and Sciences (Academia de Artes e Ciências Cinematográficas).

8 comentários:

Iza disse...

Nunca assisti um filme com ele. Sei que é um baita clássico, mas dos comediantes, só vi filmes de Chaplin e Keaton; desse último, amei Amores de Estudante. Adorei seu post :)
Beijos <3

Bruxa disse...

Olá! Fico sempre contente com sua visita em minha caverna.
Obrigada por apreciar meus comentários.
Esse ator tb foi citado no livro de Chaplin e como te disse antes, o que fico indignada é que antigamente, eles trabalhavam tanto e levavam à filmes, questões sérias e eram perseguidos politicamente. Só recebiam reconhecimento depois de tanto tempo, assim como fizeram com Chaplin, que até foi proibido de entrar nos EUA depois do filme "O Grande Ditador" e teve uma ficha no FBI. Só ganhou um Oscar posteriormente, se não me engano, 1 ano antes de falecer.
Abração e lindo dia.

disse...

Com certeza, Llloydd deveria estar no mesmo patamar de Chaplin e Keaton! O único longa dele que vi foi Safety Last!, e mais alguns curtas, mas já deu para perceber seu talento. Ele e Mildred formavam um casal tão bonito!
Beijos!

Beatriz Alencar disse...

Sempre quando eu leio sobre comédia na década de 20, ouço falar nele mais nunca assiste á um filme seu :( Quando eu ver todos os filmes de Chaplin, eu passo pra ele kkkk Abraços,

Tsu disse...

Oi Rubi!
Muito legal essa postagem...não conhecia muito o trabalho dele..achei em especial, a última foto, muito bonita!
Olha sem problemas ,eu entendo perfeitamente o seu sumiço...eu também tenho de desculpar com meu sumiço e minha demora em atualizar o blog...mas tá meio tenso ultimamente por aqui...pode notar pelo post anterior..isso que não contei nem a metade..meu trampo tám e esgotando.
Olha, fiquei sem palavras para agradecer o que você escreveu sobre meu trabalho com os cadernos personalizados. MUITO OBRIGADA! Eu fico muito feliz do produto ter agradado (se bem que vc tem que usar ahsahsahs) e que você apreciou não apenas o resultado mas a atenção que disponibilizei. Tudo isso foi o mínimo que pude fazer....quero que todos fiquem satisfeitos com os produtos e procuro a melhor qualidade possível.
Quero realmente me dedicar ainda mais á essa idéia ^^
bjs

Malu Silva disse...

Faz-nos falta esses humores leves e sem malícias exacerbadas...
Muita coisa boa se foi e está longe de emergir...
Um grande abraço e linda semana

renatocinema disse...

Um mestre que merecia mais homenagens......talvez algo como foi feito em A Invenção de Hugo Cabret poderia ser feito para esse grande ícone.


abraços e parabéns

Jefferson C. Vendrame disse...

Vergonhosamente, não conheço nada de Lloyd. Preciso urgente assistir alguns de seus filmes.
Parabéns pelo ótimo Post Rubi.

Abraços!

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