quarta-feira, 6 de junho de 2012

Hugo del Carril

No dia 30 de novembro de 1912 nascia Piero Bruno Hugo Fontana, que mais tarde ficou conhecido pelo nome artístico Hugo del Carril. Renomado ator, diretor e cantor argentino, Hugo era filho de Orsolina Bertani e Hugo Fontana e apesar de nascer em berço de ouro, sua jornada foi cercada de muitas dificuldades. Quando criança, viu-se obrigado a morar com outra família por conta da separação dos pais. Há relatos e declarações do próprio Hugo, que essa atitude fez com que nunca os perdoasse, no entanto, quando adoeceram não lhes negou a devida atenção enquanto vivos. Porém o fato de nunca ter visitado os túmulos de seus pais deram ênfase ao sentimento que o consumia. Durante a adolescência, costumava faltar as aulas para frequentar um pequeno bar reduto de artistas, na esperança de tornar-se um cantor; isso fez com que fosse expulso do colégio. Em 1927, aos 15 anos de idade, com o pseudônimo Pierrot iniciou sua carreira com apresentações ao lado dos Irmãos Leguizamon.

Foram anos difíceis em que teve que trabalhar numa fábrica de sabão e numa vidraria para manter sustento próprio. Utilizou outro pseudônimo Alejo Pacheco Ramos, trabalhou como locutor de rádio e estribilista (cantor de segunda linha que só cantava o refrão de cada tango). Em 1930 conheceu Roberto Acuña, membro do Chispazos de tradición (radioteatro), que o conduziu pela primeira vez à Radio Nacional. A parceria deu origem a dupla Acuña-Carril que fez sucesso durante quatro anos até a morte de Acuña. A morte do amigo induziu Hugo a afastar-se da carreira e não fosse o incentivo daqueles que o cercavam, certamente a teria abandonado. Em 1935 mudou-se para a Rádio El Pueblo e no ano seguinte estava na Rádio El Mundo onde conheceu Tito Ribero, que se tornou seu parceiro musical ao longo da vida. Neste período rompeu seu noivado com Perla Moreno. Em 1937 foi contratado pelo cineasta Manuel Romero para gravar o tango Tiempos Viejos no filme Los muchachos de antes no usaban gomina ao lado de Florencio Parravicini, Mecha Ortiz, Arrieta Sabina e Olmos Santiago.

Isto abriu-lhe caminhos para que a Lumiton o contrarasse para participação de três outros filmes: La vuelta de Rocha com Amanda Ledesma, Tres anclados en Paris e Madreselva, onde, neste último, durante as filmagens conheceu Ana Maria Martinez, com a qual teve uma relação atribulada. A partir daí sua fama como galã e ator rendeu-lhe os filmes: La vida es un tango, La vida de Carlos Gardel, Gente bien, El astro del tango e Confesión, La canción de los barrios, En la luz de una estrella e Cuando canta el corazón, sendo que os três últimos bateram recorde de bilheteria.

A partir de 1943 passou a misturar sua carreira artística com interesses políticos, e neste mesmo ano após a filmagem de La pasión imposible e La piel de zapa, conheceu Juan Perón ao qual fez a entrega de uma carta de Manuel Ávila Camacho, ex-presidente mexicano. No ano seguinte, estrelou a comédia Los dos rivales ao lado de Luis Sandrini e em 1945 compôs o elenco do filme La Cabalgata del Circo, onde contracenou com Evita Perón. Em 1946 em território mexicano, estrelou Canción desesperada e La noche y tu e "Compadrón, Che, papusa, oi e Pobre mi madre querida"; neste período surgiram boatos de sua morte num acidente de carro.

Três anos mais tarde, estrelou, dirigiu e produziu Historia del 900 e gravou Marcha Peronista, que o consagrou definitivamente. Na década de 50 dirigiu, produziu e atuou em diversos filmes, incluindo clássicos como El negro que tenía el alma blanca, Vida nocturna, La Tierra del Fuego e La Quintrala. Sempre envolvido com política, foi preso por conta de seus filmes e a chamada Revolução Libertadora Argentina tirou os seus filmes de cartaz. Após permanecer preso por 41 dias, voltou as telas para estrelar no filme El último perro, mas foi detido novamente acusado de desviar verba para produzir La Quintrala.

Na década de 60, conheceu Violeta Curtois com quem se casou em 1961. Nesta mesma época, produziu inúmeros filmes e foi visto pelos artistas como exigente e perfeccionista. Após sofrer um grave acidente de automóvel, nasceu sua primeira filha, Marcela Alejandra. Recuperado, dirigiu e estrelou Buenas noches, Buenos Aires (primeiro musical colorido argentino) que contava com elenco grandioso, no entanto, por conta de seu envolvimento político, o filme não alcançou o sucesso esperado. Em 1965 nasce seu segundo filho Hugo Miguel, no ano seguinte a terceira, Amorina e em 1969 Eva. Na década de 70, assinou contrato com o Canal 11, onde passou a apresentar o programa Tango Club e Carpa del Pueblo. A partir de 1973, livre da perseguição política,estrelou os filmes: Siempre fuimos compañeros e La mala vida; já em  1975 despediu-se da carreira de diretor com o filme Yo maté a Facundo. Em 1986, foi nomeado Cidadão Ilustre de Buenos Aires; porém com a morte de Violeta, no mesmo ano, Hugo entrou em depressão e dois anos mais tarde foi internado após sofrer infarto. Sua recuperação foi lenta mas permitiu-lhe ainda prestigiar uma homenagem ao seu 50º aniversário de sua primeira atuação em setembro de 1989; porém no dia 13 de agosto do mesmo ano, faleceu aos 71 anos de idade, sendo enterrado junto com Violeta Curtois no Cemitério de Olivos.

13 comentários:

M. disse...

Nossa Rubi!!!! Eu não conhecia quase nada a respeito dele, até vir aqui e lê tudo que precisava saber em seu blog. Após a publicação deste post, posso publicá-lo no Sala Latina de Cinema colocar no final do post seu link e atribuir os devidos créditos à sua pessoa? Abraço e bom feriado.

disse...

Muitos atores e atrizes argentinos começaram no rádio, não?
Ele com certeza teve uma trajetória muito bacana!
Beijos!

Iza disse...

Muito bom saber mais sobre este ator!
Não conheço muita coisa do cinema argentino.
Seu blog é uma verdadeira enciclopédia do cinema.
Eu sou fã! Beijos e bom feriado <3

Rodrigo Ferreira disse...

Bravo!! blog muito gososo de ver.
Era um dos atores mais requisitados.
Pena que morreu com apenas 71 anos. Seria um
dos maiores atores de todos os tempos.

rodrigobandasoficial.blogspot.com

Dário Shoupaiwisky disse...

Amei a matéria.
1 abraço
@ofthemoda

@qFernando disse...

Depressão sempre causando (ou contribuindo para) mortes de artistas, já reparou a grande quantidade de artistas que sofrem com a doença, praticamente todos, a grande sensibilidade necessária para a profisssão deve contribuir, e muito, para o desenvolvimento dessa patologia né.. mto triste ver os talentos do mundo passarem pro esses problemas e até mesmo morrerem por causa disso...
Ótimo post, fui apresentado a mais um artista que nao conhecia, e nao preciso nem falar na qualidade da sua pesquisa né? sempre excelente..
bjs e boa semana..
________________________________________
http://anteontemmusical.blogspot.com.br/

Alice Oliveira disse...

Não conhecia ele...parecia ser bem charmoso!

http://rebucomcafe.blogspot.com.br

beijinhos

Jefferson C. Vendrame disse...

Olá Rubi, como vai?
Depois de um mês tumultuado, estou de volta ao meu blog, e ao de meus amigos.
Gostei de ler seu ótimo texto sobre esses nomes argentinos. Você sempre nos trazendo pérolas de um cinema "menos conhecido".
Valeu as informações.

Grande abraço

Tsu disse...

Oi Rubi!
Ah obrigada pelo apoio! Aos poucos as coisas vão se ajeitando mas ainda é tudo corrido e coisa e tal..não sei como vou dar conta de tudo sem ficar louca kkkkk. Mas pelo menos ficando menos na net consigo adiantar outras coisas (e me sobrecarregar na net mas faz parte).
Olha com relação ao post dos Quadros a sugestão tá anotada! Vou tentar fazer isso nasm inhas férias (vai demorar então) porque assimp osso pesquisar, selecionar alguns quadros e preparar a galera que frequenta porque é algo meio forte rs. Manter um blog não é fácil..a lista de artigos pendentes e sessões cosplay que tenho de montar para deixar adiantado é imensa!!!
bjs

Patrícia disse...

Gosto de ler sobre pessoas determinadas e que não se deixam abater pelas lutas, e o Hugo foi um desses!Lindo, amiga

Rubi a muito tempo queria deixar uma postagem em especial pra vc, aqui está e se quiser pode copiar eu autorizo .
clic divas do cinema

J. BRUNO disse...

Eu conheço muito pouco do cinema argentino, e o pouco que eu conheço é da produção contemporânea, não da antiga, teus ultimos posts estão me ajudando a descobrir este mundo novo... Parabéns pelo ótimo post!

Maxwell Soares disse...

Olá, Rubi. Neste dias baixei alguns filmes dele no youtube. Fiquei curioso para conhecê-lo. Maravilhoso vê-lo, aqui, em teu espaço. E foi pela "La Cabalgata del Circo", uma postagem brilhante que você, aqui, o fez que passei a buscá-lo. Valeu, mesmo, pela Enoooooooorme dica. Um abraço....

Gabriel França disse...

Mais um talentoso artista que você me apresenta, hein, rubi? Adorei conhece-lo!

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Esse blog destina-se a trazer informações, curiosidades, músicas e muitas dicas. O universo de pesquisa é muito vasto e se você tiver interesse em algo ou alguém deste universo em especial, faça sua sugestão e na medida do possível tentarei apresentar um trabalho que lhe agrade.

 
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