quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Lillian Gish

Em 14 de outubro de 1893 nascia Lillian Diana Gish, uma das maiores estrelas do cinema mudo. Sua longa carreira, que se estendeu por 75 anos, dividiu-se entre as telas do cinema e da televisão. Primogênita do casal Mary Robinson McConnel e James Leigh Gish, era irmã da também atriz Dorothy Gish. A família vivia em Ohio até ser abandonada pelo pai. A partir daí, mudaram-se para Illinois para viver ao lado dos tios. Enquanto isso Mary abriu a loja Majestic Candy Kitchen, onde as crianças ajudavam a vender doces e pipocas aos clientes do antigo Teatro Majestic. Alguns anos depois, Dorothy e Lillian foram matriculadas na St Henry's School onde atuaram em diversas peças.

De volta para Ohio, passou a morar com a sua tia Emily até receber a notícia de que seu pai estava muito doente e encontrava-se num hospital de Oklahoma. Mesmo depois de ser abandonada durante a infância, Gish partiu rumo a Oklahoma para visitar seu pai e permaneceu por lá, na casa de seus tios até concluir os estudos. Gish só retornaria a Ohio em 1912, logo após a morte de seu pai. Não se sabe se a família voltou a Illinois ou recebeu a notícia de que o Teatro Majestic havia sido destruído num incêndio, em Ohio, mas isso obrigou a família de Gish a mudar-se para Nova York. Coincidência ou não, a vizinha de Gish era Gladys Smith (mais conhecida como Mary Pickford).Tornaram-se amigas, e coube a Mary Pickford indicá-las a D.W. Griffith. Lá as irmãs assinaram contrato com o Biograph Studios e estrearam juntas em 1912 no curta-metragem An Unseen Enemy. Até 1915 ela atuou em mais de 40 filmes até estrelar numa produção grandiosa de Griffith "O Nascimento de Uma Nação".

A partir daí, ganhou créditos suficientes para ser a estrela em Intolerance (Intolerância), Broken Blossoms (Lírio Partido), Way Down East e Orphans of the Storm (Orfãs da Tempestade). Graças a sua brilhante atuação, coube a ela o título de The First Lady of the Silence Screen ou "A Primeira Dama do Cinema Mudo". Em 1920 dirigiu seu primeiro e único filme Remodeling Her Husband, tendo como protagonista sua irmã Dorothy Gish. Dentre sua vasta filmografia durante o cinema mudo, destaque para: The White Sister, Romola, The Scarlet Letter, Annie Laurie, The Enemy e The Wind. Estreou no cinema falado em 1930 com o filme  One Romantic Night, seguido por His Double Life, Commandos Strike at Dawn, Top Man e Miss Susie Slagle's. Durante meados da década de 30 e 40, dividiu seu tempo entre as telas e os palcos realizando peças como Hamlet, A Dama das Camélias, entre outros.

Em 1946, foi convidada a fazer parte do elenco em Duelo do Sol e pela sua atuação, recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Seguiram-se a esse: Portrait of Jennie e The Night of the Hunter (respectivamente O Retrato de Jennie e O Mensageiro do Diabo). De 1950 até 1980, Gish dedicou-se a televisão, onde participou de inúmeros seriados, incluindo: The Trip to Bountiful, Play of the Week, The Spiral Staircase, Mr. Novak, The Defenders, The Alfred Hitchcock Hour, The Love Boat, entre outros. Considerada uma defensora da arte do cinema mudo, realizou palestras e exibiu vários filmes até organizar um programa, em 1975, na Rede televisiva Americana PBS somente com clássicos do cinema. Premiada com o Oscar Especial, Women in film Crystal Award e Lifetime Achievement Award, encerrou sua carreira cinematográfica em 1987 no filme The Whales of August (Baleias de Agosto) ao lado de Bette Davis e Vincent Price. Sua última aparição profissional ocorreu no ano seguinte no musical Show Boat de Jerome Kern. Em sua vida pessoal, Gish nunca se casou nem teve filhos, no entanto, muitos acreditavam num possível envolvimento com Griffith.

Sobrevivente de uma pandemia de gripe em 1918, Gish envolveu-se ainda com o produtor Charles Duell mas o relacionamento terminou em processo devido a escândalo relatado em jornais. Durante a Segunda Guerra Mundial, acusada de participar de um grupo contrário a participação dos EUA na guerra, sofreu revés em sua carreira, até assinar um contrato renegando o movimento. Manteve um excelente relacionamento com sua irmã Dorothy, Mary Pickford e Helen Hayes da qual, inclusive, foi madrinha de seu filho James MacArthur. Faleceu no dia 27 de fevereiro de 1993 aos 99 anos de idade durante o sono, de causas naturais.

Gish deixou aos fãs, além de uma vasta filmografia, três livros autobiográficos: "The Movies, Mr. Griffith, and Me", Dorothy and Lillian Gish e An Actor's Life For Me e foi homenageada com dois documentários: "Lillian Gish: An Actor's Life for Me" e "Lillian Gish"; respectivamente dos diretores Terry Sanders e Jeanne Moreau. Seria impossível citar todas as obras de Gish num espaço tão pequeno, mas fica aqui minha singela homenagem a nossa eterna Primeira Dama do Cinema Mudo.

15 comentários:

Aline disse...

Ela trabalhou muito, bonita a trajetória dela... Bacana a atitude de ter ido visitar o pai...A última foto é muita bonita! Um dia desses passei seu link para um amigo que adora cinema, ele gostou e elogiou o layout...

Iza disse...

Lillian era muito bela. Admiro muito ela e sua irmã.
Faz tempo que eu quero assistir um filme com ela - vou procurar um nesse final de semana, qual você mais indica?

Beijos <3

Flá Romano disse...

Oieee...
Acabei de conhecer aqui e é lindooooo!
Parabens pelo blog, super criativo e original...
Bjinhus
http://morenanude.blogspot.com.br/

M. disse...

Acho esse período do cinema mudo, um dos mais mágicos do cinema e um dos mais lindos.

Andressa Lara disse...

Parabéns pelo teu blog flor, ele é lindo, estou adorando as postagens. Já estou te seguindo e curtindo sua pag do face.
Quando tiver novidades passa lá no meu para me avisar ok?? Vou adorar voltar aqui.
E se puder seguir e curtir minha pag, vou ficar muito feliz de ter você por lá. beijOs.
http://andressalara.blogspot.com.br/

Bruna Worspite disse...

Que linda!
Uma verdadeira diva, adorei conhecer um pouco da sua trajetória de vida-carreira.

Bjs e bom fds
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Malu Silva disse...

Nossa!! Eu sou apaixonada por biografias... adorei passar por aqui. Seu espaço é encantador. Se gostar de poesias vai pelo meu e conheça...
Abraços

Bruxa disse...

Sabe que eu fico fascinada ao ver essas fotos e ler coisas de épocas tão distantes?
Então menina... eu tô no mesmo barco que vc, esperando alguém que se livre da coleção pra que eu possa adquiri-la. No momento, estou lendo a biografia autorizada dele - Chaplin - e estou amando.
Tem coisas q nos tocam - saber o qto uma pessoa sofreu e mesmo assim, dedicou-se a espalhar alegria aos outros. Todos os seus filmes eram mensagem ou relacionados com algo de sua infância. Se vc gosta de ler, recomendo. Vale mesmo a pena. Acho que nos faz ficar mais apaixonadas por ele.

Abração e ótimo final de semana.

Victória Cruz disse...

Com toda certeza a Lillian foi uma guerreira e uma carreira mais que merecida, além de ser abandonada pelo pai ela fez questão de estar ao lado dele na hora em que mais precisou.
Apesar de muitas indas e vindas conseguiu se consagrar, foi maravilhosíssima, porque atuar em a dama das camélias e hamlet não é para qualquer um mesmo, teve uma vida longa.
Ótimo post, como sempre :D
Já falei mas repito, quando leio essas biografias sinto como se eu voltasse a essas épocas, é como voltar na tempo de maneira graciosa, não sei explicar ao certo, mas é muito bom!
Eu não sei se você já tem algum post com essa temática, mas queria sugerir que você fizesse um post sobre a história sobre o prêmio Oscar e algumas das mais imponentes pessoas que já ganharam o prêmio. Sou apaixonada por cinema, então queria saber um pouquinho mais sobre esse prêmio, eu sei que tem no google, mas queria ver sob o seu ponto de vista, se você puder é claro.
E sobre o comentário no meu blog, pode pedir ajuda sempre que precisar flor, eu não sou uma Costanza Pascolato, mas quanto a moda posso ajudar um pouquinho sim.
poxa, falei bastante hahaha
beijos
http://croquidemoda.blogspot.com.br

Beatriz Alencar disse...

Essa aí eu conhecia! kkkk Linda e Talentosa :D Abraços,

Maxwell Soares disse...

Olá, Rubi. Começo de ano é complicado. Tantas coisa acontecendo ao mesmo tempo. Arrumei um tempinho pra passar aqui e visitá-la. Adorei a postagem. A história pessoal da atriz, superação e tudo mais. Ad fotos, também, estão lindas. Ainda não sei como você, Rubi, consegue colher tantas informações e com tanta riqueza. Fico,sempre, que venho aqui embasbacado. Parabéns...

disse...

Linda homenagem! Lillian é minha atriz favorita do cinema mudo e não há nada mais que eu possa acrescentar a seu texto sobre ela.
Aliás, você já viu este vídeo dela, aos 90 anos, em um espetáculo de balé? http://vintageclassicscrapbook.tumblr.com/post/40270679832/in-1916-aged-23-lillian-gish-watched-the-first
Ela não dança muito, mas foi um sonho realizado. :)
Beijos!

Fernando disse...

Olá Rubi
Acho fantástico vc recuperar histórias que muitas pessoas nem sabem. E grandes histórias no cinema. Vc afz um grande trabalho.
gde abrsss
Fernando
http://fernu5083.blogspot.com.br/

Jefferson C. Vendrame disse...

Oi Rubi, como vai? Tudo bem?
Parabéns pelo ótimo Post.
Lillian Gish é sem dúvidas um dos grandes nomes da história de Hollywood. Ainda não tive o privilégio de assistir ao filme The Wind mas já vi outros títulos com a atriz.

Seus textos, sempre ótimos!
Parabéns!

rasputin1965 disse...

miss lillian incarnava cio' che molte donne di oggi non hanno ancora capito....la vera donna con una classe immensa, senza volgarita' e una dolcezza infinita,che si e' portata dietro anche quando gli anni non la rendevano più bella fisicamente.......eterna isuperabile lillian

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