terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Natalie Talmadge

Nascida em 29 de abril de 1896, Natalie Talmadge tornou-se uma consagrada atriz do cinema mudo ao lado do marido Buster Keaton. Vivendo a sombra de suas irmãs Norma e Constance Talmadge, figuras notórias do cinema da época, Natalie estreou nas telas em 1916 ao lado de D.W. Griffith no filme Intolerance (Intolerância), no qual desempenhou o papel de três personagens diferentes; mas infelizmente sequer foi creditada no histórico da produção. Nos anos seguintes, permaneceu executando papeis secundários sem muita expressão nos filmes His Wedding Night, A Country Hero, The Isle of Conquest, The Love Expert e Yes or No. Nesse meio tempo, mantinha um relacionamento incomum com Buster Keaton, os dois, apesar de namorados, chegaram a ficar por quase dois anos sem comunicação. Em janeiro de 1921 Natalie enviou uma carta ao amado pedindo que voltasse pois estava pronta para assumir um compromisso mais sério; atendendo ao pedido Keaton retornou a Hollywood, onde os dois se casaram em 31 de maio do mesmo ano.

Contudo, o casamento foi limitado a uma simples cerimônia civil pois Keaton tinha aversão a religião e não aceitou casar-se na igreja. A partir de então, a carreira de Natalie tomou novos rumos e ela deixou de ser a eterna coadjuvante. No mesmo ano de seu casamento, estrelou no filme Passion Flower onde desempenhou o papel principal. Ao longo de suas vidas conjugais tiveram dois filhos: Joseph e Robert e justamente após o nascimento deste último, Natalie decretou o fim da relação sexual entre os dois. Keaton que até então mantinha-se fiel a esposa, respeitou sua decisão porém não abdicou de sua condição de homem procurando a satisfação de seus desejos fora do matrimônio. Em paralelo com a vida de casada, Natalie participou de inúmeras produções ao lado do marido chegando a condição de estrela a partir do filme Our Hospitality (Nossa Hospitalidade) um clássico do cinema mudo. Com o declínio da carreira de Buster após o contrato com a MGM, seu casamento começou a sucumbir e Natalie via o marido se entregar ao alcoolismo, porém, o relacionamento ruiu de vez quando Keaton convidou uma de suas amantes para ir até sua casa.

Amargurada, Natalie anunciou o divórcio em 1932. As consequências dessa rude separação fizeram com que Natalie alterasse o sobrenome dos filhos e proibisse qualquer contato com o pai. No ano seguinte, assumiu um novo relacionamento, desta vez com o ator Larry Kent, porém não se estendeu por muito tempo. Sozinha, Natalie passou a desenvolver alguns hábitos nocivos a sua saúde, passou a beber e fumar em demasia; e muitos atribuíram esta estranha mudança ao ódio que sentia pelo ex-marido. Em 19 de junho de 1969 aos 73 anos de idade, muito debilitada, Natalie veio a falecer vítima de insuficiência cardíaca. A história real de suas vidas, no entanto, não refletiram no sucesso e carisma que os dois protagonizaram nas telas de cinema através das inúmeras produções nas quais pareciam um casal eternamente apaixonado.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Buster Keaton

Nascido em 4 de outubro de 1895, Joseph Frank Keaton Jr., mais tarde conhecido por Buster Keaton foi um dos grandes nomes do cinema mudo; ator e diretor foi considerado o maior rival de Charlie Chaplin. Iniciou sua carreira artística ainda criança, aos três anos de idade, participando de uma peça teatral ao lado de seus pais, onde aprendeu a técnica para representar quedas e tombos extraordinários que mais tarde levou as telas de cinema. Porém, foram anos difíceis onde enfrentou diversas situações de censura devido a sua pouca idade. Contudo, a turnê dos Keatons prosseguiu por anos, e durante este período, impossibilitado de frequentar uma escola normal, o pequeno Buster aprendeu a ler e a escrever com a sua própria mãe. Já contava com seus 21 anos quando sua mãe resolveu abandonar a companhia de teatro pois seu marido enfrentava problemas com o alcoolismo e já estava denegrindo a imagem do grupo.

Estabelecendo-se em Nova York ao lado da mãe, Keaton passou a demonstrar grande interesse pela sétima arte, vindo a estrear no cinema em 1917 com o filme The Butcher Boy. Em seguida, participou de várias outras produções apenas executando algumas pontas e finalmente em 1920 passou a dirigir seus primeiros curtas-metragens. Curiosamente, Keaton trazia consigo uma deficiência auditiva adquirida durante a sua participação na Primeira Guerra Mundial, o que felizmente não o impediu de prosseguir na sua empreitada. Envolvido na produção de pequenas películas realizou seu primeiro grande sucesso em 1923, Our Hospitality (Nossa Hospitalidade), seguido por Sherlock, Jr., The Navigator e The General (considerado seu filme mais polêmico, pois abordava a Guerra Civil americana). Uma particularidade de suas produções, era a composição do elenco quase sempre repetido em todos os filmes.

O perfil de suas comédias baseava-se em corridas, quedas e fugas, sempre levando o espectador a boas gargalhadas. Como marca registrada, adotava uma característica única e especial em todos os seus personagens, mantinha-se sempre impassível mesmo nas situações mais absurdas. Essa peculiaridade lhe atribuiu alguns apelidos criados pelos críticos, tais como O Grande Cara de Pedra e O Homem que Nunca Ri; isso porque realmente não alterava seu semblante sério e compenetrado. Com isso, pode-se dizer que Keaton foi precursor da famosa Experiência Kuleshov . Entre os anos de 1920 e 1929, Keaton produziu uma quantidade impressionante de filmes que o tornaram o maior ator e diretor da história do cinema.

Com a chegada do cinema falado, Keaton foi contratado pela MGM em 1928 e a partir daí, sua carreira passou a sofrer severas transformações; entre elas foi obrigado a aceitar a participação de um dublê para as cenas mais perigosas, recurso que jamais admitira usar até então. Ao longo de seu contrato coma MGM fez parceria com Jimmy Durante, porém o desgaste com a produtora levou-o a pedir demissão em 1933 tão logo concluiu as filmagens do filme No Beer? alegando ter sido o pior período de sua carreira artística. Em Hollywood trabalhou com os Irmãos Marx e Lucille Ball, além de assinar novo contrato com a Columbia Pictures. Entre os anos de 40 e 50 participou de várias produções com papeis secundários e atuou em programas televisivos. Em 1966 fez sua última aparição em tela no filme A Funny Thing Happened on the Way to the Forum. Ao longo da vida casou-se três vezes: Natalie Talmadge (com a qual teve dois filhos), Mae Scriven e Eleanor Norris. Faleceu em 1 de fevereiro de 1966 deixando um acervo fascinante e uma Estrela na Calçada da Fama.

Como fã incondicional do trabalho de Buster Keaton, sinto-me incomodada por não conseguir traduzir nessas linhas toda a obra desse grande ator e diretor tamanha foi a quantidade de filmes produzidos por ele, mas na medida do possível procurarei brinda-los com algumas jóias raras de sua filmografia.




A "rivalidade" entre Buster e Chaplin e a surpresa de 1952
Cabe aqui uma menção e um agradecimento a Dilberto do blog Morcegos que me sinalizou a respeito desta "estranha rivalidade" entre Buster Keaton e Charlie Chaplin. A história do cinema mudo traz muitas histórias e fantasias, entre elas a grande rivalidade que existia entre Keaton e Chaplin. Na verdade o que existia entre os dois gênios da época era uma grande amizade, tanto que em 1952 Chaplin produziu, dirigiu e atuou na sua grande obra Limelight (Luzes da Ribalta) e convidou nada mais nada menos que Buster Keaton para contracenar com ele. Um brinde e uma resposta aos críticos que tanto induziram o público a acreditar na rivalidade entre os amigos.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Our Hospitality - Nossa Hospitalidade

É impossível falar sobre os tempos áureos do cinema mudo e não citar ícones como Charlie Chaplin, Harold Llyod e Buster Keaton. As produções de Chaplin alcançaram níveis extraordinários de popularidade, deixando assim grandes atores em segundo plano. Este é o caso típico de Buster Keaton considerado um de seus maiores rivais (e amigo) desta época memorável. Dono de um estilo único e cativante, Buster dirigiu, produziu e atuou em diversos filmes, dentre eles Our Hospitality (Nossa Hospitalidade), do qual reservarei as próximas linhas para conduzí-los a esta divertida comédia. Estrelado por Buster Keaton, Natalie Talmadge, Joe Roberts, Joe Keaton, entre outros, o filme foi lançado em 1923 e gira em torno da rivalidade entre as famílias Canfield e McKay.

Buster interpreta o jovem Willie McKay que retorna a sua cidade natal após a morte do pai em busca da herança deixada por ele. Ao chegar envolve-se com Virginia Canfield (Natalie Talmadge) filha de Joseph Canfield (Joe Roberts) patriarca da família Canfield. O filme envolve uma série de situações extremamente cômicas que ressaltam o grande talento de Buster Keaton. A produção tem pouco mais de uma hora de duração mas são incontáveis minutos de pura diversão que vai desde o início, numa hilariante viagem de trem até o final mais ou menos previsível. Para os fãs do gênero, é uma ótima pedida.


Bastidores: A morte de Joe Roberts e a gravidez de Natalie Talmadge. Uma produção realizada no Keaton's Hollywood studio.
Primeira produção cinematográfica a conter três gerações de uma família, sendo que o primeiro ator representava o pai, o segundo o filho e por fim Buster Keaton como o neto, e último representante da família. As cenas de tiroteio foram todas filmadas em Oregon, Califórnia; com exceção das cenas na cachoeira. Considerada uma das mais famosas do filme de Keaton, foi filmada no seu próprio estúdio em Hollywood. Além disso, ele foi o responsável por selecionar o ano em que o filme aconteceria, para que assim pudesse reproduzir o modelo Stephenson's Rocket da locomotiva, pela qual tinha uma paixão desde garoto.

Vale ressaltar que o cavalo que ganhou destaque na produção também foi escolhido pelo próprio Keaton. No entanto, infelizmente, um fato triste ocorreu durante as filmagens; quando Joe Roberts, que era seu amigo pessoal, e fazia parte do elenco, sofreu um AVC e não resistiu, vindo a falecer logo após a conclusão do filme. Curiosidade a parte, sua mulher Natalie Talmadge (e também estrela do filme) estava grávida de seu segundo filho, e no final das filmagens, foram necessários alguns truques de gravação para que pudessem esconder a "barriguinha saliente". Atualmente o DVD está disponível em alguns sites de venda online. Mas Buster Keaton não se resume apenas a esta obra, em breve lhes presentearei com uma série de outras obras tão ou mais divertidas que esta.

Na próxima edição, trarei algumas curiosidades sobre sua vida pessoal e a rivalidade criada pelo público entre ele e Chaplin. Aguardem!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Vera Lynn

Durante a Segunda Guerra Mundial, vários artistas desempenharam importante papel na motivação dos soldados norte-americanos. Atrizes de cinema, cantoras, humoristas e toda sorte de artista emprestaram seus talentos em apresentações em meio ao flagelo da guerra. Jovens soldados afastados do convívio de suas famílias e do cotidiano de suas vidas encontravam nessas apresentações um momento de prazer e nostalgia, revigorando suas energias para os combates em campo inimigo. Dentre essas personalidades, trago hoje Vera Lynn. Nascida Vera Margaret Welch em 20 de março de 1917, Vera Lynn foi uma vedete dos pracinhas durante a Segunda Guerra Mundial; cantora, atriz e compositora, destacou-se neste período, com suas apresentações.

Nos anos sombrios da guerra visitou o Egito, Índia e Birmânia fazendo shows ao ar livre levando as tropas aliadas ao delírio com sua beleza e talento. Algumas canções marcaram de forma efusiva essa sua parceria com os soldados, entre elas The Forces' Sweetheart, We'll Meet Again, The White Cliffs of Dover e There'll Always Be an England. Ao final da guerra manteve a sua popularidade participando de shows e programas no rádio e na televisão do Reino Unido e EUA, gravando sucessos como Auf Wiederseh'n Sweetheart e "My Son, My Son".

Natural de East Ham, começou a carreira artística aos sete anos de idade com pequenas apresentações públicas e adotou o nome de solteira de sua avó como seu pseudônimo artístico (Lynn). Em 1935 fez a sua estreia na rádio com a orquestra de Joe Loss e no ano seguinte, lançou seu primeiro disco solo "Up the Wooden Hill to Bedfordshire" pela gravadora Crown. Permaneceu na companhia de Joe Loss até 1937 quando passou a trabalhar com Bert Ambrose. Em 1939, durante a Phoney War, primórdias da Segunda Guerra Mundial, Vera foi nomeada pelos soldados britânicos por Sweetheart, a favorita entre os militares. Em 1941, já com a Guerra em andamento, estreou seu próprio programa de rádio Sincerely Yours, no qual enviava mensagens para as tropas britânicas. Dois anos depois, participou do filme We'll Meet Again que contava a história de uma bailarina durante a guerra. Após a guerra, Lynn foi a primeira atriz britânica a constar no topo das paradas musicais norte-americanas permanecendo nesta posição por cerca de nove semanas.

Participou regularmente do programa de rádio The Big Show ao lado de Tallulah Bankhead. Por duas vezes, respectivamente em 1957 e 1979 foi a esrela do programa da BBC Television Theatre: This Is Your Life; conduzindo a partir de 1960 um programa de variedades todo seu. Em virtude de seus trabalhos humanitários recebeu ao longo dos anos várias condecorações e títulos do Império Britânico. Em 2009 aos 92 anos de idade, tornou-se a artista mais velha do mundo a ocupar o primeiro lugar na parada britânica de sucessos. Ao longo da vida dedicou grande parte do seu tempo a trabalhos de caridade voltados para ex-militares, crianças deficientes e engajamento na luta contra o câncer de mama.

Ainda hoje, é mantida com carinho no coração de cada veterano da Segunda Guerra Mundial. Casou-se com Harry Lewis em 1941, com o qual permaneceu até sua morte em 1999. O casal teve uma filha a qual deram o nome de Virgínia Penelope Anne Lewis. Dentre seus trabalhos cinematográficos, destaque para Rhythm Serenade, One Exciting Night e Venus fra Vesto. O reconhecimento e carinho por toda a sua obra recebeu uma merecida homenagem através do grupo Pink Floyd com a canção Vera do álbum The Wall. Atualmente, aos 94 anos de idade, vive na Inglaterra cercada por seus eternos fãs. Para quem não conhece o trabalho de Vera Lynn deixo aqui uma pequena oportunidade para quem quiser conhecer: When I Grow too Old to Dream, The White cliffs of Dover e It Hurts To Say Goodbye.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

The Kid - Elenco

Nascida Lillita Louise MacMurray no dia 15 de abril de 1908, Lita Grey foi uma atriz que fez sua carreira ao lado de Charles Chaplin. Aos 16 anos, Lita engravidou de Chaplin que na época estava com 35 anos, isso teve consequência um casamento forçado para que não houvesse escândalos. Apesar das brigas e do desinteresse de ambos na relação, tiveram dois filhos: Charles Chaplin Jr. e Sydney e Earle Chaplin. Durante as gravações do filme The Gold Rush, Lita ficou meses sozinha até exigir o divórcio em 1927 devido aos inúmeros casos de Chaplin com outras mulheres. A situação de Chaplin em relação ao divórcio virou a notícia principal da época, pois Lita exigiu 700 mil dólares de pensão; além disso, vários jornais publicaram matérias sobre seu envolvimento com mulheres mais jovens. Mesmo depois de tanto escândalo, Lita ainda casou-se mais três vezes a primeira com Henry Aguirre, seguido por Arthur Day e Pat Long. Na década de 60 escreveu duas autobiografias intituladas: My Life With Chaplin e Wife of the Life of the Party e foi homenageada em 1992 no filme Chaplin pela atriz Deborah Moore. Faleceu no dia 29 de dezembro de 1995 aos 87 anos de idade vítima de câncer. De sua filmografia, destaco: The Kid, The Idle Class, The Gold Rush, Seasoned Greetings, Skyline Revue, The Devil's Sleep, Mr. Broadway, This Is Your Life, The Hollywood Greats e Unknown Chaplin.

Henry Bergman nasceu no dia 23 de fevereiro de 1868, e assim como Lita Grey, fez sua carreira ao lado de Charles Chaplin. Ator de teatro e cinema, marcou sua estreia na peça Henrietta em 1988 e na Broadway no ano seguinte. Henry teve o privilégio de ver o cinema nascer, além de poder acompanhar as primeiras produções cinematográficas até ser convidado a participar de seu primeiro filme The L-KO Kompany em 1914. Dois anos depois conheceu Chaplin e deu um importante passo em sua carreira, tendo aparecido em clássicos como The Immigrant, The Gold Rush, The Circus, Modern Times e The Great Dictator. Na década de 40, abriu um restaurante graças ao apoio financeiro de Chaplin e transformou o pequeno 'Henry's' (nome dado ao restaurante) num dos estabelecimentos mais populares de Hollywood. Henry faleceu no dia 22 de outubro de 1946 aos 78 anos de idade.

Outros atores: Carl Miller e Tom Wilson.

A Segunda Guerra Mundial foi uma página negra na história da humanidade, porém ela revelou um lado humano até então desconhecido do mundo artístico. No próximo post falarei mais sobre este assunto. Aguardem!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Charlie Chaplin

Nascido Charles Spencer Chaplin em 16 de dezembro de 1889, Charlie Chaplin dividiu seu tempo nas mais diversas áreas, tendo maior destaque como diretor, ator e humorista. Considerado um dos atores mais famosos do cinema mudo, com a famosa 'comédia pastelão' e seu figurino simples, porém marcante, Chaplin conquistou um público significativo para a época, e vem conquistando até os dias atuais, mesmo depois de sua morte; seja pelo jeito carismático ou pelos filmes. Influenciado pelos pioneiros da sétima arte, o trabalho de Chaplin na produção de uma obra cinematográfica ia desde o "roteiro" até o financiamento, sendo ele o responsável por cada detalhe. Filho de artistas, aprendeu a cantar com os pais Charles Spencer Chaplin Sr e Hannah Chaplin, até mudar repentinamente o modo de viver, com a separação do casal. Aos 3 anos de idade, morando com a mãe e o irmão, Chaplin via de perto o sofrimento da mãe, quando esta teve um problema na laringe e viu-se obrigada a parar de cantar.

Durante uma apresentação, Hannah foi vaiada e gravemente ferida por alguns objetos que a plateia atirava. Foi então que Chaplin, agora com 5 anos, subiu ao palco e cantou a canção Jack Jones, impressionando o público presente e também sua mãe. Seu pai, que era alcoólatra, apesar do pouco contato que tinha com os filhos, costumava chamá-los para passarem um período em sua casa, até Chaplin ser enviado ao Archbishop Temples Boys School pela sua madrasta. Aos 12 anos de idade, sofreu com a morte do pai e com a internação de sua mãe num asilo local, que veio a falecer em 1928. Os dois irmãos passaram a trabalhar juntos até 1910, quando Chaplin saiu em turnê com a companhia de Fred Karno rumo aos EUA. Dividindo o quarto, com o até então desconhecido, Arthur Stanley Jefferson (que posteriormente ficaria conhecido como Stan Laurel, do Gordo e o Magro), foi convidado por Mack Sennett a fazer parte da Keystone Film Company.

Com a estreia de Chaplin nos cinemas em 1914 no filme Making a Living, Mack Sennet não escondeu seu desapontamento em relação a sua atuação. No entanto, graças a Mabel Normand, Chaplin teve uma segunda chance. Trabalhando ao lado de Mabel, porém incomodado com as constantes discussões, Chaplin superou as expectativas e tornou-se uma das maiores estrelas da Keystone Film Company. Com a criação de seu personagem mais famoso, The Tramp (O Vagabundo), caracterizado pela bengala, chapéu coco, paletó, sapatos grandes e claro, o bigode, Chaplin apareceu nas telas em 1914 no filme Kid Auto Races at Venice e posteriormente Mabel's Strange Predicament, marcando assim a estreia de seu novo e inesquecível personagem. Dono de um estilo único, em apenas um ano, Chaplin já havia feito cerca de 40 curtas, incluindo Tillie's Punctured Romance. No ano seguinte, assinou contrato com a Essanay Studios, vindo a conhecer Edna Purviance, Leo White e Bud Jamison, os quais apareceram na maioria de seus filmes.

Em 1916, após receber 670 mil dólares da Mutual Film Corporation, produziu doze filmes, dentre os quais destaco: Easy Street, One A.M., The Pawnshop e The Adventurer. Um ano depois, com um novo contrato na First National, Chaplin construiu seu próprio Estúdio em Hollywood e produziu suas primeiras longas-metragens: Shoulder Arms, The Pilgrim, The Kid, entre outras. Em 1919 tornou-se co-fundador da United Artists, juntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith, e produziu os clássicos A Woman of Paris, The Gold Rush e The Circus. Apesar da chegada do cinema falado, Chaplin continuou investindo nos filmes mudos City Lights, que ficou conhecido pela harmonia das canções e Modern Times, que ficou conhecido pela canção Smile interpretada por Chaplin e Paulette Goddard.

Em 1940 Chaplin enfim investiu na sua primeira produção falada: The Great Dictator, que foi indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro Original. Em 1947 com o lançamento de Monsieur Verdoux, entrou para a lista negra de Hollywod devido ao conteúdo do filme. Entre as décadas de 50 e 60 lançou Limelight, A King in New York e A Countess from Hong Kong, seu último filme (estrelado por Sophia Loren e Marlon Brando). Em seus últimos anos compôs a trilha sonora de alguns filmes, lançou a compilação The Chaplin Revue e escreveu sua autobiografia.

(Na foto ao lado: Charlie Chaplin e Mahatma Gandhi) Ao longo dos anos, Chaplin envolveu-se com muitas mulheres, dentre elas Hetty Kelly, Edna Purviance, Mildred Harris (com a qual teve um filho), Pola Negri, Marion Davies, Lita Grey (com a qual teve dois filhos), Merna Kennedy, Georgia Hale, Louise Brooks, May Reeves, Paulette Goddard, Joan Barry e Oona O'Neill sua última mulher que era quase 40 anos mais nova e que lhe deu oito filhos. No dia 25 de dezembro de 1977, aos 88 anos de idade Chaplin faleceu enquanto dormia, vítima de um AVC. No ano seguinte, um fato curioso ocorreu envolvendo Chaplin; seu corpo foi roubado por um grupo de rapazes que pediram dinheiro para devolvê-lo a família. Os homens foram presos e a família exigiu uma tampa de concreto para evitar possíveis roubos.

Em 1991 Oona O'Neill faleceu e foi enterrada ao lado do marido. Artista completo, foi homenageado das mais diversas maneiras e atualmente é lembrado carinhosamente pelos seus fãs. Versátil, crítico, perfeccionista, exigente, bem humorado e talentoso, assim era Charlie Chaplin.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Edna Purviance

Nascida Olga Edna Purviance em 21 de outubro de 1895, a jovem atriz norte-americana foi a principal companheira de tela de Chaplin. Aos três anos de idade, mudou-se para Lovelock com a família, porém em 1902 com o divórcio de seus pais, Edna viu a mãe casar-se novamente com Robert Nurnberger. Pianista talentosa, mudou-se para San Francisco em 1913 onde ingressou na faculdade de negócios e passou a tocar piano no Tate's Café. Dois anos mais tarde, após indicação de um associado do estabelecimento, foi convidada por Charles Chaplin (que procurava uma atriz para seu novo filme) a fazer parte da Essanay Studios e também do elenco do filme A Night Out.

A química entre os dois rendeu a Edna a participação em mais de 30 filmes de Chaplin ao longo de sua carreira. Alguns clássicos contaram com sua beleza e talento, tais como The Tramp, The Immigrant, Esy Street, The Kid, The Idle Class, A Woman of Paris, Monsieur Verdoux e Limelight. Apesar do bom relacionamento e de um suposto envolvimento amoroso com Chaplin, Edna Purviance, em 1938 casou-se com John Squire, piloto da Pan-American Airlines. Porém o casamento chegou ao fim em 1945 quando John faleceu num acidente de avião. Recentemente, com a descoberta e restauração de alguns filmes mudos e falados, foi possível identificar o filme The Sea Gull, uma produção até então inédita datada em meados da década de 50.

Em 1958, vítima de câncer, faleceu no dia 11 de janeiro aos 62 anos de idade. Fãs e críticos acompanham atentamente o desenrolar de uma petição que está em andamento nos bastidores de Hollywood para que ela receba uma Estrela na Calçada da Fama. Edna recebeu homenagens nas telas de cinema onde teve sua vida retratada pelas atrizes Penelope Ann Miller e Katie Maguire, respectivamente nos filmes Chaplin (1992) e Madcap Mabel (2009). Apesar de sua morte em 1958, existem várias referências sobre sua vida artística e pessoal disponíveis na internet, entre elas recomendo o site: "Edna Purviance, Charlie Chaplin's Leading Lady - Welcome to Paradise".

Além dos filmes acima citados, segue uma referência a outros trabalhos executados por Purviance: The Champion, In the Park, A Jitney Elopement, By the Sea, Work, A Woman, The Bank, Shanghaied, A Night in the Show, A Burlesque on Carmen, The Floorwalker, Carlitos Bombeiro, The Count, Carlitos no Estúdio, The Rink, Rua da Paz, The Adventurer, Vida de Cachorro, Triple Trouble, The Bond, Shoulder Arms, Sunnyside, A Day's Pleasure, Os Clássicos Vadios, Pay Day, The Pilgrim, Casamento ou Luxo, A Woman of the Sea e Éducation de prince.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Jackie Coogan

Nascido John Leslie Coogan no dia 26 de outubro de 1914, Jackie Coogan foi um ator que deu início em sua carreira quando ainda era um bebê no auge do cinema mudo. Filho de artistas de vaudeville, o pequeno garoto realizava shows no Orpheum Theatre, quando foi descoberto por Charles Chaplin, o qual ficou impressionado com a facilidade do garoto ao imitá-lo no palco. Foi então que em 1917, Jackie fez sua primeira aparição, embora não tenha sido creditado, no filme Skinner's Baby do próprio Chaplin. Quatro anos depois, fez aquele que mais tarde seria considerado um de seus melhores filmes, The Kid (O Garoto) novamente ao lado de Chaplin, interpretando o pequeno John. Sua atuação lhe garantiu, além da fama, uma quantidade enorme de produtos comercializados com seu nome, entre eles alimentos, bonecos, acessórios e roupas. No ano seguinte, foi convidado por Frank Lloyd a fazer parte do elenco no filme Oliver Twist, e mais uma vez influenciou pelo seu estilo, sendo copiado e homenageado pelo jovem Scotty Beckett nos filme Os Batutinhas.

Aos 10 anos de idade matriculou-se na Urban Military Academy e posteriormente na University of Southern California, até abandonar os estudos em 1932 devido as notas baixas. No ano seguinte, um fato curioso ocorreu envolvendo o ator Jackie Coogan. Segundo algumas informações, em novembro de 1933, seu amigo (e dono de um pequeno estabelecimento) foi sequestrado e morto por dois homens, que após receberem uma grande quantia em dinheiro foram presos. Um pouco depois, já na prisão, um grupo invadiu o local e enforcou os dois homens; verdade ou não, Jackie é apontado como um dos mandantes do enforcamento.

No dia 4 de maio de 1935, enquanto viajava com o pai e seu melhor amigo, Junior Durkin (do filme Huckleberry Finn) para San Diego, sofreu um grave acidente e foi o único a sobreviver. Apesar da vida conturbada, seu talento para o cinema não foi ameaçado, prova disso é a Estrela na Calçada da Fama de Hollywood, além do reconhecimento mundial. Em 1937 casou-se com a também atriz Betty Grable e permaneceu com ela até 1939. Apesar de ser considerado um dos mais bem pagos atores mirins de sua época, todo o dinheiro recebido, que atingia a marca de 4 milhões de dólares, foi gasto pela sua mãe e pelo seu padrasto em carros de luxo, jóias e roupas. No entanto, quando Jackie completou 23 anos, ele processou seus pais e chamou a atenção dos atores daquela época; foi criada então a Lei Coogan que garantia 15% do salário da criança para consumo próprio, ou seja, para investir na educação e no lazer.

(Foto: Betty Grable e Jackie) Na década de 40 alistou-se no Exército dos EUA e prestou seus serviços como aviador. Sendo lembrado principalmente pelo seu trabalho voluntário e por ter arrecadado milhões para ajudar os mais necessitados. Em 1941 casou-se com Flor Parry e teve um filho, o pequeno John Anthony Coogan e em 1946 casou-se novamente, desta vez com Ann McCormack e teve uma filha, Joann Dolliver Coogan; ambos os casamentos duraram apenas dois anos. Nos anos 50, casou-se pela última vez com Dorothea Odetta e teve dois filhos, Leslie Diane e Christopher Fenton, permanecendo com ela até sua morte.

De volta as telas, apareceu nos seriados Cowboy G-Men, The Martha Raye Show, The Outlaws, The Brothers Brannagan, McKeever and the Colonel, The Brady Bunch, I Dream of Jeannie, Family Affair, Here's Lucy, The Brian Keith Show, The Partridge Family, The Wild Wild West, Hawaii Five-O, Perry Mason e The Addams Family, onde interpretou um de seus personagens mais conhecidos, Uncle Fester (conhecido como Tio Chico). No dia 1 de março de 1984, aos 69 anos de idade, faleceu vítima de parada cardíaca. Jackie foi lembrado de forma carinhosa nos livros "Jackie Coogan: The World's Boy King: A Biography of Hollywood's Legendary Child Star" e "The First Male Stars: Men of the Silent Era".

Fazem parte de sua filmografia: Peck's Bad Boy, My Boy, Nice and Friendly, Trouble, Daddy, Circus Days, Long Live the King, A Boy of Flanders, Little Robinson Crusoe, "Hello, 'Frisco", The Rag Man, Old Clothes, Johnny Get Your Hair Cut, The Bugle Call, Buttons (todos da década de 20); Tom Sawyer, Huckleberry Finn, Home on the Range, Million Dollar Legs (década de 30); The Space Children (1958); Girl Happy (com Elvis Presley) e The Shakiest Gun in the West (1968), seu último filme.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

The Kid - O Garoto

Quando falamos sobre as produções de Charles Chaplin, é comum associarmos seus filmes a comédia e a crítica social. Dentre os muitos que Chaplin dirigiu e estrelou, está The Kid (O Garoto) lançado em 1921, com Edna Purviance, Carl Miller, Tom Wilson, Henry Bergman, Lita Grey e Jackie Coogan no elenco. A história começa com uma mãe (Edna Purviance) desesperada carregando o filho (Baby Hathaway) nos braços. Acreditando que um carro de luxo estacionado na porta de uma mansão fosse do dono da residência, a mãe aos prantos, coloca seu filho no carro, acreditando ser esta a única e melhor opção para que ele tenha tudo o que precisa. Posteriormente, com a saída do carro do local, a mãe fica desesperada ao saber que o carro foi roubado por dois bandidos. No entanto, os dois rapazes ao notarem a presença do bebê, optam por deixá-lo na rua. A partir daí, com uma mistura de drama e comédia, O Vagabundo (Chaplin) encontra o pequeno garoto e inicialmente, sem saber o que fazer, o coloca junto com outro bebê no carrinho de uma mulher. Recusado pela mulher, o garoto volta aos braços de Chaplin que ao encontrar um bilhete, decide cuidar do menino dando a ele o nome de John.

Cinco anos depois, John (Jackie Coogan) e Chaplin tornam-se inseparáveis, sendo parceiros até no trabalho, enquanto Jonh quebra os vidros da vizinhança, Chaplin passa pelas ruas para consertar. Não muito longe dalí, a mãe do garoto que agora está rica, passa a maior parte do seu tempo ajudando os mais necessitados. Em determinado momento, John adoece e os médicos descobrem que Chaplin não é seu pai. Destinado a ir embora para o orfanato, as cenas que seguem a partir deste momento fazem o telespectador ir desde o sorriso até a lágrima.


A história por trás das câmeras - A morte de Norman Spencer Chaplin e outras curiosidades.
Considerado o primeiro longa-metragem a unir gêneros tão distintos (drama e comédia), a produção escrita, dirigida e protagonizada por Charles Chaplin mostra um lado triste, porém realista de sua infância em Londres, misturado com a dor da perda de seu filho Norman Spencer Chaplin no início das gravações. Há uma história curiosa sobre o filme, acredita-se que em 1920, logo quando as gravações foram concluídas, a esposa de Chaplin Mildred Harris, pegou o filme como parte da divisão de bens. Posteriormente, Chaplin e alguns colegas recuperaram os negativos e refizeram a produção com uma nova trilha sonora. Curiosidade a parte, a atriz Lita Grey que interpreta o anjo em The Kid (O Garoto) foi a segunda esposa de Charles Chaplin. O ator mirim Jackie Coogan foi um dos primeiros a receber honras de grandes personalidades, como príncipes, presidentes e até do papa.

Visto como uma das melhores obras de Chaplin, o filme ganhou notoriedade por fazer o telespectador sentir todas as emoções possíveis em pouco menos de uma hora. Conhecido também pela frase "A picture with a smile, and perhaps a tear..." (Um filme com um sorriso, e talvez uma lágrima), em 2011 The Kid foi escolhido para ser preservado na Library of Congress' National Film Registry. Atualmente, a obra pode ser vista em canais como Telecine Cult, e/ou ser adquirida em DVD.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Rouben Mamoulian

Rouben Mamoulian nasceu em 8 de outubro de 1897 e foi considerado um dos melhores cineastas de sua época. Armênio, destacou-se principalmente no cinema norte-americano e nos teatros. Filho de banqueiro e atriz, deu início em sua carreira em 1922, quando mudou-se para Londres e dirigiu suas primeiras peças. Na década de 20, viajou para os Estados Unidos em companhia de Vladimir Rosing para organizar espetáculos e dirigir óperas e operetas na Eastman School of Music. Em meados dos anos 20, tornou-se chefe de uma escola de teatro onde Martha Graham (uma dançarina) estudava, e juntos produziram o filme The Flute of Krishna que contava com uma inovação: era filmado em duas cores. Posteriormente, dirigiu a produção de DuBose Heyward, "Porgy", na Broadway e também Porgy and Bess, de George Gershwin. Mamoulian também ficou conhecido por ser o primeiro a encenar clássicos como Oklahoma!, Carousel e Lost in the Stars em 1943, 1945 e 1942, respectivamente.

Entre 1929 e 1930, Mamoulian já era naturalizado norte-americano e resolveu arriscar-se nas produções Hollywoodianas. Coube a ele, em 1929, a produção de um dos primeiros filmes do cinema falado: Applause. Seguiram-se a este City Streets com Gary Cooper e Sylvia Sidney; "Dr. Jekyll and Mr. Hyde" (O Médico e o Monstro) com Fredric March, considerado até hoje a melhor adaptação do conto de Robert Louis Stevenson. O filme também trouxe o Oscar de Melhor Ator para Fredric March. Em 1932 dedicou-se ao musical Love Me Tonight com Maurice Chevalier e Myrna Loy. No ano seguinte desenvolveu um importante trabalho de recuperação da atriz Greta Garbo escolhendo-a para o papel principal de sua nova produção Queen Christina, juntamente com John Gilbert.

No mesmo ano trouxe as telas Marlene Dietrich no drama romântico The Song of Songs; em 1934 novamente com Fredric March e Anna Sten lançou We Live Again. A partir do ano seguinte, passou a investir em produções Technicolor com os filmes Becky Sharp (com Miriam Hopkins), The Gay Desperado e "High, Wide, and Handsome" (com Irene Dunne, Randolph Scott e Charles Bickford) de 1935, 1936 e 1937 respectivamente; voltando em 1939 com a obra Golden Boy (estrelado por Barbara Stanwyck e William Holden). Encerrou a década de 30 e iniciou a década seguinte com dois de seus maiores trabalhos: The Mark of Zorro (com Tyrone Power e Linda Darnell) de 1940 e Blood and Sand (novamente com Tyrone Power, Linda Darnell e Rita Hayworth). Em 1942 investiu seu talento na comédia Rings on Her Fingers com Henry Fonda e Gene Tierney, seguido por Summer Holiday (com Mickey Rooney) e The Wild Heart (com Jennifer Jones).

Em 1957 encerrou as atividades ao lado de Fred Astaire e Cyd Charisse com o musical Silk Stockings e ainda iniciou as produções de Porgy and Bess e Cleopatra, respectivamente em 1959 e 1963, sendo demitido nas duas situações no início das filmagens, assim como Laura em 1944. No ano seguinte, casou-se com Azadia Newman e permaneceu com ela até sua morte. Em entrevista, Mamoulian declarou que estava mais interessado em criar um olhar poético em seus filmes do que um olhar realista. Escritor do livro Applause foi incluído no American Theatre Hall of Fame em 1981, sendo premiado em 1982 com o Lifetime Achievement Award pelo Directors Guild of America. No dia 4 de dezembro de 1987 aos 90 anos de idade, Rouben Mamoulian faleceu vítima de causas naturais deixando além da inestimável obra cinematográfica, uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Queen Christina - Elenco

Nascido Sir Charles Aubrey Smith em 21 de julho de 1863, C. Aubrey Smith foi um ator e jogador de Cricket. Como jogador, era conhecido por "Round the Corner Smith", devido a sua forma peculiar de realizar as jogadas. Em 1882 ele jogou pela Cambridge University e foi capitão da Inglaterra numa única partida contra a África do Sul. Curiosamente, durante uma de suas muitas viagens pelo mundo, enquanto passava pela África do Sul contraiu pneumonia e foi declarado morto pelos médicos. O boato só foi esclarecido quando Aubrey deu início em sua carreira artística em 1895 num teatro de Londres, com a peça The Prisoner of Zenda, a qual ganhou versão cinematográfica e contou com a presença de Aubrey novamente. No ano seguinte casou-se com Isabella Madeira. Sua estreia na Broadway aconteceu graças a peça Pygmalion e no cinema com The Bump (1920). Mais tarde foi pra Hollywood onde tinha uma carreira de sucesso como ator e diretor. Aubrey também foi considerado líder não-oficial da British film industry colony in Hollywood, grupo de atores britânicos que estavam se fixando no local em 1930. Entre eles, figuravam Ronald Colman, David Niven, Rex Harrison, Robert Coote, Leslie Howard, Nigel Bruce e Patric Knowles. Ao longo da carreira, contracenou com lendas do cinema mundial, tais como Greta Garbo, Elizabeth Taylor, Vivien Leigh, Clark Gable, Laurence Olivier, Ronald Colman, Maurice Chevalier, Gary Cooper e John Gilbert. Em 1932 fundou o Hollywood Cricket Club, utilizando grama importada da Inglaterra para a construção do campo. Fizeram parte do seleto grupo de jogadores, nomes como David Niven, Laurence Olivier, Nigel Bruce, Leslie Howard e Boris Karloff. No ano seguinte, passou a fazer parte da diretoria do Screen Actors Guide; e em 1938 recebeu o título de Commander of the Order of the British Empire. A filmografia de Aubrey nos traz clássicos como: The Prisoner of Zenda, The Four Feathers, Dr. Jekyll and Mr. Hyde, Queen Christina e Then There Were None. Condecorado pelo Rei George VI pelos seus serviços no teatro e homenageado pelo personagem Comandante McBragg, criado pela TV cartoon que trazia suas características, e ainda apareceu no episódio dos Simpsons "The Seemingly Never-Ending Story". Faleceu no dia 20 de dezembro de 1948 aos 85 anos de idade, vítima de pneumonia. Possui uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

Nascido Lewis Shepard Stone em 15 de novembro de 1879, Lewis Stone foi um ator e escritor que dividiu sua carreira entre os palcos e as telas. Aos 20 anos de idade, já com os cabelos brancos, viu-se obrigado a lutar na Guerra Hispano-Americana e somente um ano depois retomou sua carreira como escritor. Em 1912 marcou sua estreia como ator na peça Bird of Paradise, ao lado de Laurette Taylor, curiosidade a parte,a peça ganhou versão cinematográfica em 1932 e 1951. Com a Primeira Guerra Mundial, Lewis interrompeu seus trabalhos novamente até 1920, quando estrelou em Nomads of the North, seguido por The Prisoner of Zenda, ambos considerados seus melhores filmes. Em 1929 recebeu uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Ator por The Patriot. Posteriormente, Lewis começaria uma longa jornada ao lado de Greta Garbo, com a qual realizou sete filmes, incluindo clássicos como: Grand Hotel, Queen Christina, Mata Hari, A Woman of Affairs, Romance e Wild Orchids. Na década de 30 após estrelar em The Big House, atuou ao lado das grandes estrelas de Hollywood, Walace Berry (com o qual apareceu em The Lost World), Boris Karloff (no filme The Mask of Fu Manchu), Norma Shearer, John Gilbert, Ramón Novarro, Clark Gable, Jean Harlow, Mickey Rooney, Judy Garland, entre outros. Encerrou sua carreira em 1953 com o filme All the Brothers Were Valiant, vindo a falecer no dia 12 de setembro do mesmo ano vítima de um ataque cardíaco, aos 73 anos de idade enquanto afastava algumas crianças que atiravam pedras em sua janela. Casou-se três vezes e teve dois filhos no primeiro casamento. Anos após sua morte foi homenageado com uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

Nascido John Reginald Owen em 05 de agosto de 1887, Reginald Owen dividiu sua carreira entre as telas e a televisão, marcando sua estreia em 1905 na Royal Academy of Dramatic Art. Na década de 20 passou a trabalhar na Broadway e posteriormente em Hollywood, onde deu início a uma longa jornada e ficou mundialmente conhecido graças a MGM. Em 1922, estreou na produção The Grass Orphan, seguido por The Letter, Platinum Blonde, Downstairs, Sherlock Holmes, The Man Called Back, A Study in Scarlet, Double Harness, Voltaire, Queen Christina e Anna Karenina (com Greta Garbo) Madame Du Barry, The Great Ziegfeld e A Christmas Carol, onde susbstituiu Lionel Barrymore com o papel de Ebenezer Scrooge, consagrando-se no mundo cinematográfico. Mais tarde, apareceu na televisão ao lado de James Garner no seriado Maverick em dois episódios. Em 1964 ganhou notoriedade na produção Mary Poppins, Five Weeks in a Balloon e Bedknobs and Broomsticks, seu último trabalho. Faleceu no dia 5 de novembro de 1972 aos 85 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco. Casou-se três vezes e teve dois filhos.


Outros atores (seguindo a ordem das imagens acima): Elizabeth Young, Georges Renavent, David Torrence, Gustav von Seyffertitz, Ferdinand Munier, Akim Tamiroff, Muriel Evans e Hooper Atchley.
 
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